A Polícia Militar de São Paulo retirou na madrugada de domingo cerca de 150 estudantes que ocupavam o saguão da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) desde quinta-feira (7) em um protesto. A ação envolveu cerca de 50 policiais e foi realizada sem autorização judicial, conforme informou o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP, que classificou a operação como agressiva e ilegal.
Os estudantes protestavam para pedir a retomada do diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado, após a reitoria encerrar as negociações unilateralmente. Entre as principais reivindicações estão melhorias nas moradias estudantis, como consertos relacionados à água e mofo, e a qualidade da alimentação nos restaurantes universitários, que, segundo relatos, servem comida estragada com presença de larvas. Também solicitam o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil.
Segundo o DCE, a retirada aconteceu por volta das 4h15 e causou dezenas de feridos devido ao uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. Houve também relatos de agressões em sequência, conhecido como corredor polonês. Seis estudantes foram levados à UPA Rio Pequeno; dois foram liberados, enquanto quatro permanecem internados, incluindo um com o nariz quebrado. Quatro manifestantes foram detidos.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a operação foi legal, baseada no poder-dever e no fator surpresa para garantir a segurança, sem necessidade de autorização judicial devido ao flagrante e crime contínuo. A secretaria negou a existência de feridos e relatou que a ação contou com uso moderado da força diante da resistência. Os quatro detidos foram levados ao 7º Distrito Policial por danos ao patrimônio público e por alterar os limites da manifestação, sendo depois liberados após identificação.
Depois da desocupação, foram constatados danos no patrimônio, como portões derrubados, portas de vidro quebradas, e carteiras e mesas danificadas, além de problemas na catraca de entrada. A PM apreendeu drogas, armas brancas e objetos contundentes como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes. Toda a operação foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais, que afirmam que denúncias de abuso serão investigadas. O policiamento permanece na área para manter a ordem pública.
