Tulio Kruse
FolhaPress
A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, 21 anos, que atirou e matou a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos, estava sem a câmera corporal na farda porque não tinha o cadastro necessário para usar o equipamento.
Ela havia terminado o Curso de Formação de Soldados da Polícia Militar em São Paulo no dia 10 de dezembro e, desde então, fazia patrulhamento na região de Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista, onde a morte de Thawanna, mãe de cinco filhos, aconteceu.
De acordo com a Polícia Militar, o processo burocrático para que a soldado Yasmin conseguisse um cartão eletrônico vinculado ao CPF (Cadastro de Pessoa Física) dela ainda não estava concluído.
Só com esse cartão os policiais podem retirar a câmera corporal da base que recarrega a bateria e baixa as imagens gravadas durante o turno.
A Secretaria de Segurança Pública não respondeu até a publicação deste texto sobre a falta do cartão.
Thawanna caminhava na rua pouco antes das 3 horas da última sexta-feira (3), acompanhada do marido, o ajudante de pedreiro Luciano Gonçalves dos Santos, 36 anos, quando a viatura da PM passou e esbarrou o retrovisor no braço dele.
Isso gerou uma discussão entre os policiais e o casal, e Thawanna perguntou se eles iriam atropelar o casal. A soldado Yasmin saiu da viatura e, segundo moradores e a advogada da família da vítima, Viviane Leme, que viu as imagens do caso, agrediu Thawanna com um chute e um soco.
O tiro disparado por Yasmin teria acontecido depois que Thawanna deu um tapa na mão da policial, conforme testemunhas relatadas à Folha de S.Paulo.
Apenas o companheiro de viatura dela, o soldado Weden Silva Soares, 26 anos, usava câmera corporal. O tiro não foi filmado porque Weden estava do outro lado da viatura, junto com Luciano.
Três moradores de Cidade Tiradentes disseram à Folha de S.Paulo que, apesar de formada há apenas quatro meses, Yasmin já era conhecida na área por abordagens agressivas e desrespeitosas.
Thawanna foi ferida com um tiro no peito e ficou no chão por mais de meia hora, conforme imagens da câmera corporal de Weden divulgadas pela TV Globo. Uma filmagem feita por um morador mostra um policial andando com um fuzil ao redor da vítima enquanto ela estava imóvel.
Os dois policiais foram afastados do serviço nas ruas, informou a Secretaria de Segurança Pública, que lamentou a morte de Thawanna da Silva Salmázio e se solidarizou com seus familiares.
A ocorrência está sendo investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e também por um Inquérito Policial Militar (IPM), com supervisão das corregedorias.
A Corregedoria da PM tem 45 dias, contados a partir de 3 de abril, para concluir o IPM que apura os fatos.

