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quarta-feira, 18/03/2026




PM está manchada, diz comandante sobre prisão de oficial acusado de feminicídio

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Tulio Kruse e André Fleury Moraes
Folhapress

O comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, Coronel José Augusto Coutinho, declarou nesta quarta-feira (18) que a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto prejudica a imagem da corporação.

“É claro que a PM fica manchada com isso. Um dos seus membros está preso preventivamente, acusado de feminicídio”, afirmou. “Mesmo assim”, continuou Coutinho, “tomamos medidas duras para mostrar que não fazemos distinção em relação a quem comete o crime”.

Essas palavras foram ditas durante entrevista dada pela liderança da Secretaria de Segurança Pública (SSP) poucas horas após a detenção de Geraldo Leite, preso na manhã desta quarta-feira sob suspeita de matar a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, sua esposa.

Coronel Henguel Ricardo Pereira, número dois da SSP, acompanhava o comandante-geral e comentou que este pode ser o primeiro caso de feminicídio envolvendo um oficial de alto escalão da Polícia Militar. “Trata-se de um caso marcante e profundamente chocante”, disse.

A prisão do oficial foi decretada pela Justiça Militar, atendendo pedido da Corregedoria da PM de São Paulo, que encontrou indícios de envolvimento do oficial na morte da esposa.

Há um segundo pedido de prisão feito pela Polícia Civil, que aguarda decisão da Justiça de São Paulo.

A reportagem da Folha de S.Paulo tentou contato com o advogado de defesa do oficial, mas não obteve resposta até a última atualização.

Na terça-feira (17), ao ser questionada sobre o pedido de prisão da Polícia Civil, a defesa afirmou que Neto está à disposição da Justiça e não vê motivos para uma prisão sem prazo determinado.

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, na sala do apartamento onde moravam, no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente registrado como suicídio, o caso foi reclassificado para morte suspeita e, posteriormente, para feminicídio.

O tenente-coronel chamou a polícia e o resgate no dia do fato, alegando que a esposa teria se suicidado.

No boletim de ocorrência, elaborado no 8º DP (Brás) poucas horas após a morte, já havia dúvidas sobre a causa da morte, mencionando “dúvidas razoáveis sobre suicídio”.

A mudança na classificação baseou-se em laudos periciais da cena do crime e em informações sobre o relacionamento conturbado do casal.

O exame do Instituto Médico Legal (IML) revelou ferimentos no pescoço e rosto da vítima, contrariando a hipótese de suicídio. Relatos indicam ainda comportamentos abusivos do oficial da PM.

A perícia concluiu que as lesões no pescoço foram causadas por outra pessoa, mas que Gisele não foi sufocada antes do tiro.

As evidências principais contra o tenente-coronel incluem a posição da arma na mão do corpo, incomum em casos de suicídio, e manchas de sangue em locais afastados do ponto onde o corpo foi encontrado, segundo depoimentos.




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