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quinta-feira, 08/01/2026

Planos de saúde precisam se adaptar ao envelhecimento da população

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LUANA LISBOA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Nos últimos anos, o setor de planos de saúde enfrentou muitas críticas dos consumidores, e agora especialistas afirmam que é fundamental que as operadoras se ajustem ao envelhecimento da população e à incorporação de novas tecnologias, sem prejudicar os beneficiários.

Os consumidores reclamam de altos reajustes, cancelamentos inesperados e dificuldades para acessar tratamentos essenciais. Por outro lado, o setor informa que até pouco tempo estava superando um prejuízo operacional muito grave.

Em 2025, houve uma recuperação financeira, e a previsão para os próximos meses é de estabilidade, conforme declara Bruno Sobral, diretor executivo da Fenasaúde, que representa grandes operadoras como Bradesco Saúde, SulAmérica, e Unimed Nacional. Ele ressalta que essa estabilidade está ligada a uma incorporação controlada de tecnologias que realmente fazem sentido.

Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge, associa mais de 140 operadoras incluindo Notredame Intermédica e Prevent Senior, e destaca que a recuperação está ocorrendo, mas de forma desigual, pois muitas pequenas e médias empresas ainda enfrentam dificuldades financeiras graves que afetam sua capacidade de manter a estrutura e atendimento.

O setor enxerga como desafio a diferença crescente entre a longevidade e a qualidade de vida, o que pode comprometer a sustentabilidade dos sistemas de saúde, de acordo com um relatório do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

Marina Paullelli, coordenadora do programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), afirma que o envelhecimento deve ser encarado como algo natural e que as empresas precisam se preparar para o futuro.

Ela explica que individualmente é difícil prever quando uma pessoa ficará doente, mas coletivamente é possível calcular riscos para evitar que práticas abusivas afetem os consumidores.

O Idec levou esse argumento ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um julgamento sobre a aplicação da proibição de reajustes por faixa etária prevista no Estatuto do Idoso, mas o julgamento foi suspenso pelo ministro Alexandre de Moraes.

Paullelli argumenta que razões econômicas não devem justificar a flexibilização da regulação, lembrando que quando a lei dos planos foi discutida na década de 1990, se dizia que ela levaria o setor à falência.

No ano anterior, o STF decidiu que planos de saúde devem cobrir tratamentos não incluídos na lista da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde que cumpram cinco critérios técnicos. A decisão foi positiva para as operadoras, que esperam economizar com isso.

O Judiciário atua como mediador de conflitos entre consumidores e operadoras. Um relatório recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indica que os tribunais tendem a favorecer o direito à saúde, especialmente nas decisões estaduais.

No entanto, a médica Ana Maria Malik, professora da FGVsaúde, diz que a judicialização não deve crescer, pois muitas vezes ocorre por falta de regras claras, o que causa confusão nos consumidores sobre o que estão contratando.

Ela observa que os planos de saúde estão ficando muito semelhantes entre si, diferenciando-se principalmente se têm fins lucrativos e modelo de rede própria ou não.

A cobertura do plano também está em debate, com a ANS propondo um novo tipo de plano que cobriria apenas consultas eletivas e exames, sem internações ou emergências. A proposta recebeu críticas do Ministério Público Federal (MPF).

Lucas Nogueira, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, comenta que a ideia de planos ultrassegmentados, com muitas restrições, é antiga e é proibida por lei.

O futuro da saúde suplementar no Brasil dependerá das escolhas políticas sobre subsídios e incentivos fiscais para operadoras, segundo Nogueira.

Malik reforça que é necessário não só maior regulação da ANS, mas que as operadoras realmente queiram oferecer serviços que atendam às necessidades da população.

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