Após enfrentar diversas derrotas no Congresso e antecipar uma possível crise entre os Poderes, o Planalto iniciou, nesta semana, uma movimentação para formar uma ampla aliança à esquerda visando as eleições de 2026. Esse tipo de coalizão busca fortalecer bancadas legislativas, já que o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta dificuldades com uma base instável, mesmo após distribuir ministérios e cargos em favor do centrão.
Na última terça-feira (1º/7), interlocutores do Planalto falaram com líderes partidários sobre a ideia de criar essa superfederação, incluindo o PCdoB e o PV, que já têm aliança formal com o PT, além de PSB e PDT. Embora o pedido tenha sido recebido sem resistência, não houve muito entusiasmo.
O PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin e responsável pelos ministérios da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Empreendedorismo (MEMP), considera uma aliança formal com o PT complicada. Os socialistas acreditam ser a parte menos influente da eventual coalizão e temem perder espaço para o maior número de parlamentares da sigla petista.
Contexto político e crise no Planalto
- Em maio, o governo anunciou aumento no IOF, esperando arrecadar quase R$ 20 bilhões para cumprir meta fiscal de 2025;
- O Congresso rejeitou a medida; após reuniões, o Planalto reduziu o reajuste;
- Foi acordado o envio de uma Medida Provisória (MP) para compensar o valor que deixaria de arrecadar;
- Apesar do acordo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou e aprovou a urgência do projeto que eliminava o reajuste do IOF;
- Em 25/6, a derrubada total do reajuste do IOF foi aprovada surpreendendo o Planalto;
- Sem os recursos, o governo anuncia cortes em programas sociais e bloqueios de emendas parlamentares;
- Foi a primeira vez desde o governo Collor que um decreto presidencial foi derrubado, com apenas 98 votos favoráveis ao governo.
Tentativas anteriores de aliança entre PT e PSB em 2022 não foram bem-sucedidas. Além disso, o PSB está quase fechando uma federação com o Cidadania. O PDT, por sua vez, mantém distanciamento ideológico maior devido a rompimentos recentes, incluindo a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social após um escândalo, o que levou a bancada a deixar a base do presidente Lula.
Superfederação e os desafios para o presidente Lula
Para ampliar seu apoio no Congresso, o presidente Lula busca na superfederação uma estratégia para formar uma base mais sólida, especialmente diante das derrotas recentes como o reajuste de energia elétrica e o IOF. A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) para resolver essas questões pode também desencadear novos confrontos entre os Poderes.
Lula tem discutido frequentemente a ideia com aliados, e o PT aguarda sua eleição interna para confirmar seu novo líder, com expectativa em torno do ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, que poderá conduzir as negociações.
Uma federação partidária, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), obriga os partidos integrantes a atuarem como um só bloco durante quatro anos, escolhendo candidatos conjuntamente e sem possibilidade de romper a aliança. Essa união facilita a eleição de deputados e vereadores ao somar votos proporcionais.
Por outro lado, impõe limitações para candidaturas majoritárias, já que nomes para prefeitos, senadores ou governadores precisam ser discutidos com todos os membros da federação, o que pode afastar candidatos competitivos.
