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domingo, 31/08/2025

PL se divide sobre liderança de Michelle com Bolsonaro sob pressão

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O papel que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deverá desempenhar após as restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é motivo de divergência na oposição. Parte do grupo acredita que a presidente do PL Mulher assuma um protagonismo maior e lidere a direita em substituição ao esposo, que está proibido de usar redes sociais, conceder entrevistas e passou a usar tornozeleira eletrônica.

Os apoiadores de Michelle, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), defendem que ela se torne a porta-voz do bolsonarismo, comandando as reações da oposição às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que atingem o ex-presidente e seus aliados.

Em conversas reservadas, simpatizantes da ex-primeira-dama revelaram que ela conta com maior aceitação do eleitorado por ser uma mulher evangélica, com uma sensibilidade que alguns outros membros da família Bolsonaro, como os filhos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), não possuem.

Michelle é vista como uma possível representante da direita na eleição de 2026, frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisa Genial/Quaest, de julho, indicou que ela tem 19% das intenções de voto em um primeiro turno contra Lula, que lidera com 30%, desempenho superior ao do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que alcança 15%.

Michelle foi surpreendida pela Polícia Federal em sua residência, vestindo pijama. Damares, presente após a ação, afirmou que ela foi constrangida pelos agentes, mas elogiou sua postura, declarando que nasceu uma nova liderança conservadora no país.

Argumentos a favor da ex-primeira-dama para liderar um novo momento foram apresentados a Bolsonaro por Damares Alves e pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), que também pediu apoio à oposição para o protagonismo de Michelle. No entanto, nem todos no partido receberam bem a proposta. O presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, Paulo Bilynskyj (PL-SP), frisou que o candidato do partido continua sendo Bolsonaro.

Michelle mantém um perfil discreto desde as medidas contra Bolsonaro. Após a operação da PF, publicou texto religioso e evitou comentar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, continuando a criticar a gestão atual.

A agenda do PL Mulher segue normalmente, com encontros estaduais já retomados desde abril de 2025, sem perspectiva de mudanças.

Apesar de evitar falar sobre suas ambições políticas, Michelle Bolsonaro tem recebido com bons olhos seu desempenho nas pesquisas. Além de possível candidata à Presidência, ela aparece como favorita para disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal. Críticos defendem que sua entrada política comece no Legislativo, já que ela nunca concorreu a uma eleição.

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