Paulo Eduardo Dias
Folhapress
O delegado Alexandre Bento, do 42º DP (Parque São Lucas), Zona Leste de São Paulo, disse que os responsáveis pela academia C4 Gym buscavam só lucro e não se importavam com alunos nem funcionários. Segundo ele, a quantidade de cloro usada por dia era o que se deveria usar em uma semana para tentar esconder o estado da água e manter a piscina aberta.
A investigação começou após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27 anos, que aconteceu depois de uma aula de natação no sábado (7). O marido dela ainda está internado em estado grave. Outras duas pessoas também estão na UTI. No total, a polícia conta sete vítimas.
A defesa da academia não respondeu aos pedidos de entrevista. Em depoimento, um dos sócios disse que o manobrista errou ao manusear o produto. O funcionário disse que seguia as ordens do sócio.
As apurações indicam que a Juliana morreu por intoxicação de cloro. A mistura de diferentes tipos de cloro aumentou a toxicidade do ambiente fechado. O balde com o produto foi deixado perto da raia onde ocorria a aula.
Riscos no uso de cloro para limpeza de piscinas
A Polícia Civil indiciou três sócios da academia por homicídio doloso. O manobrista Severino José da Silva, 43 anos, não foi indiciado por enquanto, segundo o delegado.
Alexandre Bento explicou que o uso excessivo de cloro foi o que causou a morte da Juliana. Ele afirmou que os donos agiram com descuido e ganância, sem se importar com as vítimas.
O delegado disse que ficou claro que os empresários manipularam informações e dificultaram a investigação. O delegado Rodrigo Rezende afirmou que Severino seguia ordens do superior e que não procuraram alguém qualificado para fazer o serviço.
Rezende contou que o sócio com quem Severino falou apagou algumas mensagens do dia da morte. Os delegados também disseram que os donos não entregaram documentos necessários para a Vigilância Sanitária acompanhar o caso.
A polícia destacou o descaso e a ganância dos proprietários, que atrapalharam o atendimento das vítimas. A prisão temporária dos sócios visa evitar interferências na investigação.
A defesa informou que Severino entregou o celular à polícia, que contém conversas mostrando que ele seguia ordens do sócio Celso. Segundo a advogada Bárbara Bonvivini, as mensagens indicam que Celso dava todas as instruções ao funcionário.
A Academia C4 Gym lamentou o ocorrido, disse que prestou atendimento imediato a todos e que mantém contato com os afetados para oferecer suporte. A academia afirmou estar colaborando totalmente com as autoridades.
