A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda confirmou que a economia do Brasil deve crescer 2,3% em 2026, enquanto a inflação, medida pelo IPCA, foi revisada para cima, de 4,5% para 5,1%. Essas informações foram apresentadas no Boletim Macrofiscal de julho.
Os dados foram divulgados durante uma coletiva na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, com a presença da Débora Freire, secretária de Política Econômica, do subsecretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão, e do subsecretário de Política Fiscal, Rodrigo Toneto. O boletim traz ainda projeções para diferentes setores da economia, além de dados sobre o resultado fiscal e a dívida pública.
No cenário internacional, o relatório destaca a alta incerteza. Menciona a breve trégua entre Estados Unidos e Irã, que ajudou a reduzir o preço do petróleo. Contudo, com o fim dessa trégua em 8 de julho, os preços voltaram a subir. O boletim também fala das pressões inflacionárias e cambiais na América Latina, junto à atividade e inflação nos EUA, além da recuperação da indústria e do comércio na China e uma estabilização gradual na Zona do Euro.
Para o Brasil, o crescimento da economia em 2026 permanece estimado em 2,3%. A agropecuária teve sua previsão ajustada para cima, passando de 1,2% para 1,8%, enquanto a indústria teve uma leve queda na expectativa, de 2,2% para 2,1%. O setor de serviços manteve a previsão em 2,4%.
No segundo trimestre, a previsão é de crescimento de 0,8% em relação aos três meses anteriores, após crescimento de 1,1% no primeiro trimestre. As estimativas para indústria e agropecuária foram reduzidas, enquanto a previsão para serviços aumentou levemente. Essa desaceleração é atribuída aos efeitos atrasados da política monetária restritiva, com recuperação esperada para o quarto trimestre do ano.
Quanto à inflação, as pressões sobre os preços ao consumidor continuam, principalmente por causa dos alimentos e dos impactos indiretos do conflito no Oriente Médio. A projeção para o IPCA em 2026 subiu para 5,1%, e para o INPC, para 5,3%. Para 2027, a previsão do IPCA aumentou levemente para 3,6%.
O boletim aponta ainda riscos relacionados ao custo da energia e à possibilidade de um fenômeno El Niño mais forte, que pode prejudicar a agricultura. Também traz informações sobre projeções fiscais e a revisão dos gastos tributários, incluindo a criação da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi) e a regulamentação da Lei Complementar nº 224/2025.
