Uma investigação da Polícia Federal revelou que o Grupo Fictor e membros da facção Comando Vermelho usavam o mesmo esquema para lavar dinheiro, envolvendo empresas falsas, movimentações financeiras simuladas e funcionários do sistema bancário envolvidos.
Essa investigação faz parte da Operação Fallax, que começou nesta quarta-feira (25), apurando fraudes bancárias que podem passar de R$ 500 milhões.
De acordo com a PF, o Grupo Fictor atuava como a parte financeira do esquema criminoso, ajudando a criar empresas falsas, simular entradas e saídas de dinheiro e conseguir crédito de forma fraudulenta junto aos bancos.
Rafael de Gois, CEO da Fictor, teve seu local de trabalho e residência alvo de busca e apreensão. O ex-sócio Luiz Rubini também está sob investigação, e seu sigilo bancário foi quebrado por decisão da Justiça Federal.
As apurações mostram que o esquema envolvia criar muitas empresas de fachada usando dados de outras pessoas, conhecidas como ‘laranjas’, que muitas vezes desconheciam a fraude. Essas empresas apresentavam contabilidade e documentos falsificados para parecer que ganhavam muito dinheiro.
Com isso, conseguiam obter empréstimos bancários e movimentar grandes somas de dinheiro com transações falsas, como pagamentos cruzados e transferências internas que não tinham respaldo econômico real.
Além disso, funcionários de bancos eram aliciados para inserir informações falsas nos sistemas e facilitar as operações ilegais, dando uma aparência de legalidade ao esquema.
As empresas eram usadas por cerca de um ano e meio e depois abandonadas, causando prejuízos milionários aos bancos.
A investigação mostra que grupos do Comando Vermelho usavam essa mesma estrutura para lavar o dinheiro do tráfico de drogas, convertendo os valores ilegais em bens de luxo e criptomoedas, o que dificulta o rastreamento.
Pelo menos 15 pessoas foram presas na operação, incluindo gerentes da Caixa Econômica Federal e uma ex-gerente do Banco do Brasil.
A Justiça ordenou o bloqueio de bens e valores até R$ 47 milhões, além da quebra de sigilo bancário e fiscal de várias pessoas investigadas.
Os envolvidos podem ser acusados de crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e crimes contra o sistema financeiro, com penas que podem ultrapassar 50 anos de prisão.
Em nota, a Caixa Econômica Federal disse que está cooperando com as autoridades e reafirmou que possui políticas rigorosas para prevenir fraudes e lavagem de dinheiro.

