JOSÉ MARQUES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A Polícia Federal iniciou nesta sexta-feira (23) uma operação para investigar possíveis irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master dentro do fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro.
As buscas estão concentradas na sede do Rioprevidência, o órgão que administra aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Rio, assim como em residências de pessoas ligadas ao fundo. Entre os principais investigados está o atual presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes.
Além de Antunes, foram realizadas buscas contra Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.
Nomeada operação Barco de Papel, os mandados foram emitidos pela 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Até o momento, o Rioprevidência não se pronunciou oficialmente. As defesas dos investigados não foram localizadas para comentar.
As investigações começaram em novembro do ano passado, buscando apurar nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Essas operações teriam resultado na aplicação de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
Estão sendo investigados crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução ao erro contra repartições públicas, fraude à fiscalização, associação criminosa e corrupção passiva.
No ano anterior, em meio às apurações sobre o Banco Master, o Rioprevidência divulgou um comunicado informando que as letras financeiras tinham vencimentos previstos para 2033 e 2034, e que estava negociando a substituição dessas letras por precatórios federais.
O Rioprevidência destacou que, na época das aplicações, o Banco Master possuía autorização do Banco Central do Brasil, cadastro ativo no Ministério da Previdência Social e uma classificação de risco de crédito considerada de elevado padrão, atribuída pela Fitch Ratings, demonstrando sua solidez financeira e credibilidade institucional. As aplicações foram feitas seguindo todas as regras vigentes e o plano anual de investimentos aprovado pelo conselho da autarquia.
O órgão também ressaltou que a descoberta de fraudes dessa magnitude impacta não apenas o Rioprevidência, mas também milhares de investidores, outros fundos públicos, empresas privadas e estatais.
