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sábado, 14/02/2026

PF investiga estudante de medicina que vendia canetas para emagrecer ilegalmente

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Em Brasília

A Polícia Federal (PF) está investigando uma estudante de medicina por vender canetas para emagrecimento de forma ilegal pela internet.

Na quinta-feira (5), a PF realizou uma busca e apreensão em Almirante Tamandaré (PR) relacionada a essa suspeita. Segundo a corporação, a estudante cursa medicina em uma universidade no Paraguai, mas sua identidade não foi divulgada.

A mulher divulgava e vendia esses remédios nas redes sociais e pela internet. A investigação aponta que ela comercializava medicamentos controlados sem receita médica e sem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A denúncia contra a estudante foi feita anonimamente. Em seu endereço, agentes da PF acharam pelo menos 14 caixas de Tirzepatida 15 mg/0,5 ml, mais conhecida pelo nome comercial Mounjaro.

A PF classificou a ação dela como de “grande gravidade” por colocar em risco a saúde pública. “Medicamentos indicados originalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 estão sendo usados de forma inadequada para emagrecimento rápido e fins estéticos, muitas vezes sem acompanhamento médico e fora das normas sanitárias, aumentando os riscos à saúde dos usuários”, alertou a polícia.

O crescimento das canetas para emagrecer

As canetas para emagrecer agem no cérebro estimulando o receptor GLP-1, especialmente no hipotálamo, que controla a sensação de fome, diminuindo o apetite.

Esses remédios foram desenvolvidos originalmente para tratar diabetes tipo 2, mas depois passaram a ser indicados para pessoas com excesso de peso e riscos à saúde.

No Brasil, a Anvisa implementou em abril de 2025 uma regra que exige receita médica com validade de até 90 dias para vender medicamentos agonistas de GLP-1, como o Ozempic. O objetivo é evitar o uso inadequado para fins estéticos e garantir o acompanhamento médico, pois esses medicamentos mexem com hormônios, metabolismo e níveis de açúcar no sangue.

Além do custo alto, usar esses remédios sem orientação pode piorar o problema de ganho de peso. O modo como essas injeções atuam no cérebro ajuda a explicar por que o peso volta de forma intensa ao parar o uso.

Em entrevista à BBC, Adam Collins, especialista em nutrição da Universidade de Surrey, explicou que a exposição prolongada a níveis altos artificiais de GLP-1 pode prejudicar a resposta natural do corpo.

“Fornecer níveis de GLP-1 muito acima do normal por muito tempo pode fazer o corpo produzir menos do hormônio e ficar menos sensível a ele”, disse.

Quando o uso do remédio termina, o apetite não fica mais controlado, aumentando o risco de comer em excesso, especialmente se não houver mudanças na alimentação, exercícios e hábitos para manter o peso.

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