A Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) foi alvo de investigação da Polícia Federal devido a desvios de recursos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Durante a investigação, foram encontradas planilhas indicando pagamento de propinas a diretores do INSS e a políticos.
Dos R$ 708,2 milhões que a Conafer recebeu do INSS, mais de R$ 640 milhões foram desviados para empresas fictícias e contas ligadas a operadores financeiros envolvidos no esquema.
A análise financeira mostrou que mais de 90% da receita da entidade, obtida por descontos irregulares, foi repassada para empresas sem estrutura física, pertencentes a pessoas ligadas aos investigados.
Mensagens internas revelaram que os pagamentos de propinas eram controlados com planilhas que continham apelidos para os beneficiários, como:
- André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS, apelidado de “Herói A”;
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, conhecido como “Herói V”, que teria recebido R$ 6,5 milhões;
- Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS durante o governo Lula, denominado “Italiano”, que recebia R$ 250 mil mensais.
Os beneficiários das propinas eram chamados de “heróis” ou “amigos” e suas identidades coincidiam com registros bancários das transações financeiras ilegais.
Cicero Marcelino de Souza Santos, ex-procurador-geral do INSS, foi responsável por movimentar centenas de milhões de reais, repassando valores significativos a servidores públicos e políticos.
A investigação resultou em prisões e reforça a continuidade da Operação Sem Desconto, que combate fraudes no INSS.
