PEDRO S. TEIXEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (25), uma ação para desarticular um grupo criminoso que cometia fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. Entre os investigados estão sócios da Fictor, empresa que tentou comprar o Banco Master em novembro, na véspera da primeira prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conforme apuração.
O prejuízo ao banco público pode ultrapassar R$ 500 milhões, informou a PF. Além disso, os suspeitos são acusados de estelionato e lavagem de dinheiro.
A Fictor não foi localizada para comentar. A agência de comunicação que atendia a empresa foi dispensada no início de fevereiro, quando a empresa entrou em recuperação judicial, declarando dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões.
A organização operava captando recursos por meio de contratos de SCP (Sociedade em Conta de Participação), uma modalidade de sociedade oculta com pouca regulação.
Após o escândalo envolvendo o Banco Master, investidores tentaram resgatar seus valores na Fictor. Na recuperação judicial, os credores quirografários são os últimos a receber.
Essa situação piora com a operação chamada Fallax. Estão sendo cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, autorizados pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Foi determinado o bloqueio e sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros até o valor de R$ 47 milhões, para enfraquecer o grupo criminoso.
Também foram autorizadas medidas para rastreamento de ativos, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 jurídicas.
A investigação da PF sobre o grupo começou em 2024, identificando um esquema para obtenção de vantagens ilegais. “O grupo atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da criação de empresas, incluindo de grupos econômicos específicos, para movimentar e ocultar valores ilícitos”, diz o comunicado oficial.
Os suspeitos podem ser acusados de organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, além de crimes contra o sistema financeiro. As penas podem passar de 50 anos de reclusão.

