ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS
Agentes da Polícia Federal informam que a investigação sobre suspeitas de fraudes feitas pelo Master na venda de uma carteira de créditos para o BRB (Banco de Brasília) deve ser encerrada em breve.
Os policiais que estão acompanhando o caso dizem que já conseguiram reunir provas fortes para entender o envolvimento dos suspeitos no esquema. Um dos agentes, que preferiu não se identificar, afirmou que a investigação pode terminar após os depoimentos dos investigados, que estão marcados para o final de janeiro e início de fevereiro.
O foco da investigação está restrito à compra feita pelo Master de carteiras ligadas à empresa Tirreno e à venda tentada do banco de Daniel Vorcaro para o BRB. Os investigadores consideram os fatos desse caso como simples.
Segundo esses agentes, outros inquéritos relacionados às operações do Master, como os fundos de investimentos em grande escala, a carteira de créditos consignados, as ligações com a gestora Reag e eventuais conexões políticas, poderão ser apurados depois.
Já foi divulgado que o Banco Central identificou seis fundos de investimento que podem estar envolvidos no esquema fraudulento liderado pelo ex-banqueiro.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação foi focada nas relações entre Master, Tirreno e BRB, que envolvem a criação de créditos falsos para aumentar o valor da carteira do Master, que foi vendida ao BRB. O esquema envolve créditos inexistentes no valor de R$ 12,2 bilhões.
Em 17 de novembro, foram presos, além de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima (ex-CEO e sócio do Master), Luiz Antônio Bull (diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia), Alberto Felix de Oliveira Neto (superintendente executivo de Tesouraria) e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva (sócio do banco).
Lima, Bull e Silva estão marcados para prestar depoimento entre os dias 26 e 28 de janeiro na Polícia Federal sobre a tentativa de venda ao BRB. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também será ouvido na mesma época, assim como Vorcaro, cujo depoimento está marcado para o dia 27.
A PF pode ampliar a investigação sobre as ações de Vorcaro, do Master e de outros envolvidos, iniciando novos inquéritos. Contudo, por enquanto, o foco principal é no caso das fraudes, para evitar que a investigação cresça sem controle com novos fatos.
Além disso, a corporação já iniciou apurações preliminares sobre o uso de vários influenciadores digitais para atacar o Banco Central e possivelmente ajudar Vorcaro. Como mostrou a Folha de S. Paulo, pelo menos 46 perfis nas redes sociais fizeram ataques simultâneos ao Banco Central e aos investigadores do caso do Banco Master.
Ainda não foi aberto um inquérito para essa parte, mas as investigações estão em andamento em um procedimento chamado NCV (Notícia-Crime em Verificação). Uma abertura de inquérito é uma possibilidade.
Outros inquéritos sigilosos sobre o Master já estão em andamento tanto no Supremo Tribunal Federal quanto na primeira instância. A investigação começou na Justiça do Distrito Federal, mas foi transferida para o Supremo depois que surgiu uma ligação entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) em um negócio imobiliário.
O agente da PF afirma que há provas de que Vorcaro planejava fugir do país e que o anúncio da venda do Master para a Fictor, poucas horas antes da prisão, era uma simulação para distrair as atenções sobre as suspeitas contra o banqueiro.
Vorcaro foi preso pela PF em São Paulo quando se preparava para embarcar para o exterior, afirmando que iria fechar a venda para a Fictor em Dubai. A defesa diz que o banco tinha condições de continuar funcionando e que a liquidação pelo BC não era necessária.
Os advogados negam que ele tentava fugir e dizem que a viagem era para concluir o negócio, mas os investigadores revelam que o jato particular estava planejado para parar em Malta, o que indicaria uma tentativa de escapar do Brasil e evitar a prisão.
A defesa de Vorcaro alega que houve uma combinação entre o Banco Central, o Ministério Público e a Polícia Federal para fechar o banco naquele dia, mas os investigadores afirmam que o BC precisou agir devido a evidências de fraudes. Um agente da PF considera essa alegação uma tentativa de desqualificar o trabalho do BC.
Em comunicado divulgado em 17 de novembro, a Fictor informou a intenção de comprar o Master junto a um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, com mais de US$ 100 bilhões em ativos. Os nomes dos investidores não foram divulgados.
Um agente da PF do caso, que preferiu anonimato, duvidou da existência desse dinheiro árabe, o que está sendo parte das investigações.
A Fictor divulgou em 12 de fevereiro de 2026 que enfrenta dificuldades financeiras para cumprir compromissos, e prometeu regularizar a situação até essa data. Também anunciou a entrada de um investidor importante no grupo nos próximos dias.
