Dois meses depois do incêndio que ocorreu no pavilhão central da COP30, a Polícia Federal ainda está investigando o que causou o fogo e quem pode ser responsabilizado pelo acidente ocorrido em Belém, onde 42,6 mil pessoas participaram do evento em novembro.
A perícia começou no dia 20 de novembro, mesmo dia do incêndio, mas ainda não terminou devido à complexidade do trabalho, que necessita de análises minuciosas.
A Polícia Federal informou que as análises técnicas e suas conclusões permanecem sigilosas, conforme a lei, e por isso não é possível antecipar responsabilidades ou causas sobre o incidente.
Essa demora em identificar culpados prejudica o processo de reparação financeira, caso se comprove a culpa de empresas envolvidas na montagem da estrutura da COP30.
O custo da organização da conferência da ONU sobre o clima ultrapassou R$ 1 bilhão, sendo que o governo federal investiu R$ 910 milhões para a realização do evento.
Durante a conferência, foram observadas falhas na infraestrutura dos pavilhões, como problemas no ar condicionado devido ao calor excessivo, goteiras em várias áreas da lona e da estrutura metálica, além da falta de água nos banheiros.
Ainda não há confirmação se o sistema elétrico foi responsável pelo incêndio. A hipótese mais aceita, inclusive pelo Corpo de Bombeiros do Pará, é que o fogo começou pelo uso inadequado de um micro-ondas em um dos estandes.
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República declarou que eventuais problemas nos contratos poderão resultar em punições.
A Secretaria Extraordinária para a COP30, vinculada à Casa Civil, informou que ainda não recebeu um laudo conclusivo e que as investigações seguem em andamento.
Segundo a secretaria, as medidas de reparação ou indenização dependem da conclusão das apurações e, caso seja comprovada a responsabilidade de empresas contratadas, as ações previstas em contrato e na lei serão adotadas.
O fogo começou por volta das 14h do dia 20 de novembro, penúltimo dia oficial da COP30, um momento importante para as negociações climáticas. O incêndio ocorreu na área dos estandes dos países e causou pânico entre os participantes.
Vídeos mostram as chamas iniciando próximas aos pavilhões da África e da East African Community.
Vinte e uma pessoas precisaram de atendimento médico – 19 por inalação de fumaça e 2 por ansiedade.
A energia elétrica foi cortada na área, e as chamas chegaram a atravessar o teto dos estandes. Todo o espaço conhecido como zona azul, que abrigava pavilhões de países, entidades e salas de negociação, foi evacuado.
Os participantes retornaram ao local por volta das 21h, após vistoria comprovar a segurança da área. As negociações da COP30 foram suspensas por sete horas e retomadas no dia seguinte, com avanços modestos típicos desses encontros.
O acordo final não incluiu o plano proposto pelo Brasil para reduzir o uso de combustíveis fósseis nem um plano específico para zerar o desmatamento, apesar de a conferência ter ocorrido na Amazônia pela primeira vez.
O documento final reconheceu o papel das comunidades afrodescendentes, dos territórios indígenas e das questões de gênero no enfrentamento da crise climática.
A Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) foi contratada pelo governo federal, sem licitação, para montar a estrutura da COP30, incluindo as zonas azul e verde, com convênio de R$ 480 milhões.
A OEI subcontratou a empresa DMDL, que recebeu R$ 182,6 milhões para construir a “blue zone”, uma grande estrutura de metal, lona e estandes no Parque da Cidade.
A OEI afirmou que a rápida reação ao incêndio mostrou a eficiência e capacidade operacional da organização do evento. A DMDL informou que a resposta oficial sobre o incidente deveria ser dada pela secretaria da Casa Civil responsável pela COP30.
