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domingo, 31/08/2025

PF apura doadora de campanha de Tarcísio por possível lavagem de dinheiro do PCC

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BRUNO RIBEIRO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Polícia Federal no Paraná está investigando uma das maiores doadoras da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022, suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

A pecuarista Maribel Schmittz Golin, de 59 anos, que doou R$ 500 mil para a campanha do atual governador de São Paulo, aparece nas investigações em pelo menos quatro transações financeiras com Willian Barile Agati, apontado como membro da facção criminosa. Este caso integra a Operação Mafiusi, que ocorreu em dezembro do ano passado.

A assessoria de Tarcísio informou que ele teve mais de 600 doadores na eleição, não possui ligação com Maribel e desconhece qualquer conduta dela fora da campanha. O valor doado por ela foi o sexto maior entre todos os financiadores do governador.

Maribel afirmou que sua equipe responderia sobre o assunto, mas não houve retorno. Em mensagem rápida via WhatsApp, negou envolvimento com qualquer crime investigado pela PF: “Não tenho nenhum tipo de envolvimento com isso”.

O controle financeiro da campanha de Tarcísio foi conduzido por seu cunhado, Maurício Pozzobon Martins, que tentou ser nomeado no governo, mas desistiu após críticas de nepotismo. Atualmente ele trabalha no gabinete do deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos), aliado de Tarcísio.

Maribel fez duas doações à campanha: R$ 100 mil em 26 de agosto de 2022 via Pix, e R$ 400 mil em 6 de outubro, no segundo turno, por transferência eletrônica. Ela não doou a outros candidatos.

A investigação da PF identificou que o envio de cocaína do PCC partia do porto de Paranaguá (PR) para a Europa, em parceria com a máfia italiana ‘Ndrangheta. Em relatório policial, Maribel é citada oficialmente como investigada.

Willian Barile foi preso em janeiro em São Paulo e denunciado em fevereiro por tráfico de drogas, associação para o tráfico, obstrução da Justiça e organização criminosa.

Em 2020, dois contêineres apreendidos no porto de Paranaguá continham 554 kg de cocaína com destino ao porto de Valência, na Espanha.

Ao investigar o carregamento, a PF acompanhou as transações financeiras da quadrilha e encontrou um grande esquema de lavagem de dinheiro do PCC, detalhado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A PF vinculou Maribel a essa rede rastreando o dinheiro que circulou nas contas de Barile.

Entre as movimentações suspeitas, destaca-se a venda de um apartamento por R$ 3 milhões em Santo André (SP), enquanto seu valor venal era R$ 881 mil. Outra venda registrou um imóvel por R$ 250 mil, mais do que o dobro do valor fiscal de R$ 106 mil.

A investigação identificou três transferências entre empresas de Maribel e Barile que somam R$ 3,5 milhões.

O relatório da PF destaca que Maribel Schmittz Golin mantém relação próxima com Willian Barile Agati e que as transações indicam lavagem de dinheiro, principalmente envolvendo imóveis e discrepâncias nos valores declarados.

Diante da suspeita de que Maribel estaria auxiliando na lavagem de dinheiro do tráfico, a PF ampliou as investigações em suas movimentações financeiras.

Foi descoberto que Maribel possui quatro empresas, sem funcionários registrados, que movimentaram mais de R$ 1,4 bilhão entre 2020 e 2022, chamando atenção dos investigadores.

As doações para a campanha não aparecem na investigação, que também não menciona Tarcísio ou sua campanha no relatório policial.

As investigações seguem em andamento na PF do Paraná, ainda em fase de inquérito. A Justiça está analisando denúncia do Ministério Público Federal contra Barile e outros envolvidos em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Um integrante do caso informou que o montante movimentado por Maribel continua sendo analisado. A PF concentrou no que pode ter relação com o tráfico de drogas, por questões de competência.

Existem movimentações financeiras entre Maribel e o pastor Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, que são investigadas por possível ocultação de crimes de lavagem de dinheiro.

Em depoimento, um colaborador da PF relatou que Barile atuava com Joselito Golin, marido de Maribel, que “esquentava dinheiro dentro da igreja do pastor Valdemiro”, conforme relatório policial.

A reportagem tentou contato com o pastor para comentar o caso, mas até a publicação não houve retorno de sua assessoria.

Joselito e Maribel integram o Grupo Golin, conglomerado pecuarista presente nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, conhecido por adquirir as Fazendas Reunidas Boi Gordo pouco antes da falência da empresa em esquema de pirâmide financeira que prejudicou milhares de investidores.

A reportagem consultou o Palácio dos Bandeirantes sobre conhecimento de Tarcísio acerca das doações e do relacionamento com Maribel. Recebeu a resposta: “A campanha de Tarcísio de Freitas contou com mais de 600 doadores e respeitou todas as leis eleitorais. O governador não tem vínculo com a doadora citada, nem conhecimento prévio de condutas fora da campanha. As prestações de contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral sem pendências.”

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