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domingo, 30/11/2025

PF afirma que Braga Netto teve papel chave para desacreditar eleições

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Em Brasília

A Polícia Federal (PF) concluiu que o general Braga Netto desempenhou um papel central na elaboração de estratégias para minar a confiança no sistema eleitoral brasileiro durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Essa conclusão faz parte de um relatório recente das investigações sobre a tentativa de golpe enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento foi elaborado após a análise do celular do coronel do Exército Flávio Botelho Peregrino, ex-assessor de Braga Netto, que foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro e candidato a vice na chapa presidencial de 2022.

O general está preso desde dezembro do último ano, acusado de atrapalhar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e de tentar obter informações das delações premiadas do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid.

As mensagens trocadas confirmam que Braga Netto foi peça chave na execução de estratégias para desacreditar as eleições e o sistema eleitoral em 2022.

A PF encontrou conversas em um grupo no WhatsApp chamado ‘Eleições 2022’, formado por seis integrantes, incluindo Braga Netto e Peregrino. Eles produziram uma revisão de um documento com dados falsos sobre fraude nas urnas, que seria enviado ao então ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira, e apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para sugerir que as urnas eletrônicas poderiam ser fraudadas.

Os investigadores identificaram o envio de informações falsas que apoiaram uma ação do PL no TSE, alegando suspeitas de fraude no primeiro turno de 2022.

Além disso, o grupo promoveu a disseminação de desinformação por meio de ‘estudos falsos’ para desacreditar as eleições presidenciais, repassando conteúdo a influenciadores digitais apoiadores de Bolsonaro, como o argentino Fernando Cerimedo.

Delação de Mauro Cid

Conversas no celular de Peregrino indicam que ele teve acesso ao conteúdo da delação premiada de Mauro Cid. Em diálogo com um jornalista, Peregrino afirmou que alguém já havia compartilhado com ele as informações da delação.

Eventos de 7 de Setembro

Os investigadores apontam que a intenção golpista estava presente desde 7 de setembro de 2021, quando o então presidente Bolsonaro atacou o STF e declarou que não cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes.

Em uma conversa no WhatsApp entre Braga Netto e Mauro Cid, fica claro que eles estavam cientes da gravidade dos eventos planejados para subverter a democracia. O diálogo também menciona uma carta pública divulgada pelo ex-presidente para tentar amenizar as declarações feitas em 7 de setembro.

“Se não cumprirem, ele abre o jogo e viramos com ele. Os comandantes estão cientes. Ele vai para a mídia contra o combinado e rompemos”, disse Braga Netto, segundo o relatório.

Defesa de Braga Netto

Na semana passada, Braga Netto negou perante Alexandre de Moraes ter conhecimento da trama golpista. Na próxima terça-feira (24), uma acareação entre Braga Netto e Mauro Cid será realizada a pedido da defesa do general.

A defesa afirma que precisam ser esclarecidas as acusações envolvendo o plano ‘Punhal Verde e Amarelo’, suposto esquema golpista para eliminar autoridades, e as alegações de que Braga Netto teria entregue dinheiro a Cid dentro de uma sacola de vinho.

Durante o depoimento, o general negou conhecimento sobre o Punhal Verde Amarelo e refutou as alegações de entrega de dinheiro para militares ligados ao chamado ‘esquadrão de elite do Exército’.

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