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Brasil

PF acusa TH Joias e ex-presidente da Assembleia do Rio por ligação com Comando Vermelho

Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) formalizou acusações contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB), por supostamente manterem conexões com o grupo criminoso Comando Vermelho (CV). Entre as acusações está o vazamento de informações sigilosas para beneficiar o tráfico de drogas.

A defesa de Bacellar, representada pelo advogado Daniel Leon Bialski, considera as acusações injustas e sem fundamento.

A ex-assessora da Assembleia Legislativa do Rio, Flávia Júdice Neto, também foi acusada. Ela é esposa do desembargador Macário Júdice Neto e teria compartilhado informações confidenciais sobre as investigações relacionadas a TH Joias.

Outras pessoas conectadas a TH Joias, como Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, também enfrentam acusações.

De acordo com a investigação, Bacellar teria divulgado dados da Operação Zargun, que resultou na prisão de TH Joias por envolvimento com a facção Comando Vermelho.

TH Joias foi detido em 3 de setembro sob acusações de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de negociar armamentos, como fuzis e equipamentos antidrone, para o Comando Vermelho, além de usar seu cargo para favorecer o grupo criminoso.

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, levantou suspeitas de vazamento no dia da prisão de TH Joias. Isso motivou a abertura de uma investigação para apurar a possível divulgação irregular de informações, que poderia ter facilitado tentativas de fuga e destruição de provas.

A Operação Zargun revelou um esquema de corrupção envolvendo líderes do Comando Vermelho no Complexo do Alemão, agentes políticos, policiais militares e ex-secretários municipais e estaduais, incluindo TH Joias.

Segundo a PF, a organização criminosa se infiltrou em órgãos públicos para garantir impunidade, obter informações sigilosas e importar ilegalmente armas e equipamentos antidrone, revendendo-os até para facções rivais.

Operação Unha e Carne

Rodrigo Bacellar foi preso em 12 de dezembro pela Polícia Federal no âmbito da Operação Unha e Carne, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF das Favelas.

A PF afirmou que Bacellar orientou TH Joias a remover objetos de sua residência para dificultar as investigações, configurando possível conivência no encobrimento dos delitos.

Bacellar está afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio desde 10 de dezembro e solicitou licença do mandato.

Ele ocupava o cargo desde 2023 e chegou a assumir interinamente o governo do estado na ausência do titular Cláudio Castro (PL).

Cinco dias após a prisão, a Assembleia do Rio, em votação, decidiu libertar Bacellar por 42 votos a 21.

Defesa de Bacellar

O advogado criminalista Daniel Leon Bialski, representante de Rodrigo Bacellar, declarou que não há provas que sustentem a participação dele em atos ilícitos ou vazamento de informações.

Ele afirmou que as acusações são baseadas em suposições e qualificou o indiciamento como arbitrário e abusivo, ressaltando falta de elementos concretos que justifiquem a ação policial.

Fonte: Estadão Conteúdo.

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