VINICIUS SASSINE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A Petrobras planeja explorar três poços na região da Foz do Amazonas para verificar se há petróleo em quantidade suficiente para a extração comercial. Para isso, a empresa pretende investir R$ 3,3 bilhões na perfuração de quatro poços.
Este valor foi informado ao Ibama, órgão responsável pelas licenças ambientais, em documentos enviados em julho e agosto.
Recentemente, a Petrobras anunciou a descoberta de hidrocarbonetos no poço atualmente em perfuração, indicando a possibilidade de existência de petróleo na área.
Especialistas explicam que o comunicado é preliminar e que novas avaliações serão necessárias para confirmar a extensão das reservas.
O Ibama ainda não liberou a autorização para a perfuração dos outros poços e solicitou informações complementares.
A Petrobras pretende avançar nos blocos Manga, Crotalus e PAD Morpho, e substituir o navio-sonda ODN-II pelo Amarelina Star no bloco 59, situado a 160 km de Oiapoque, no Amapá.
Essas informações precisam ser avaliadas pelo Ibama, que decidirá sobre as autorizações para a expansão das operações na região.
O investimento de R$ 3,3 bilhões serve como base para o cálculo da compensação ambiental, prevista por lei para empreendimentos de grande impacto ambiental.
O Ibama definiu o impacto do projeto em 0,5%, o nível máximo, devido aos riscos à biodiversidade local e áreas ainda pouco conhecidas.
Com esse índice, a compensação ambiental pela Petrobras deve ser de R$ 16,5 milhões.
O custo da perfuração do poço Morpho será de R$ 842,8 milhões, resultando em uma compensação ambiental de R$ 4,2 milhões.
A perfuração do Morpho está prevista para continuar até setembro, e a perfuração dos outros três poços, caso autorizada, pode durar até 160 dias e se estender até 2027.
A Petrobras adotou diferentes critérios para o abandono dos poços. No Morpho, o abandono será permanente, sem possibilidade de retomada. Para os outros poços, a decisão será tomada após análise dos resultados da perfuração.
Especialistas afirmam que o abandono permanente de um poço inicial é comum, pois a extração geralmente ocorre nos poços seguintes.
Na terça-feira (11), a Petrobras esclareceu que o abandono de poço é um procedimento padrão e não indica necessariamente a presença ou ausência de petróleo.
A Petrobras, o presidente Lula (PT), e políticos do Amapá, como o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), atuaram para que o Ibama concedesse a licença de operação, obtida em outubro de 2025, autorizando a fase de exploração para verificar a existência de petróleo para posterior extração.
Em janeiro, um vazamento de fluido interrompeu a perfuração por um mês. O Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à empresa, e as atividades foram retomadas em fevereiro.
Essas operações têm causado aumento na migração de pessoas para Oiapoque, resultando em crescimento desordenado e invasões em áreas de floresta.
Moradores relatam que a alta nos preços dos imóveis tornou o centro da cidade inacessível, estimulando a ocupação irregular de áreas ambientais sensíveis.
A região costeira de Oiapoque abriga manguezais e territórios de cerca de 12 mil indígenas de quatro etnias, que dependem da qualidade ambiental para suas atividades tradicionais, como pesca, caça e agricultura.
Linha do tempo
- Out.20: Petrobras é autorizada a operar o bloco 59, próximo a Oiapoque (AP), na bacia Foz do Amazonas.
- 2022: Modelagens indicam que um possível vazamento não afetaria a costa brasileira, mas sim países ao norte, incluindo o Caribe.
- Mai.23: Ibama nega licença para perfuração exploratória no bloco 59 e Petrobras recorre.
- 2024: Expectativa pelo empreendimento aumenta a migração para Oiapoque, ampliando invasões.
- Out.25: Ibama concede licença para a perfuração do poço Morpho.
- Jan.26: Vazamento em perfuração causa multa e pausa de um mês nas atividades.
- Fev.26: Perfuração é retomada no bloco 59.
- Jun.26: Ibama solicita mais dados para a autorização de outros três poços.
- Jul.26: Petrobras anuncia abandono permanente do primeiro poço e deixa decisões abertas para os demais.
- Ago.26: Petrobras confirma descoberta de hidrocarbonetos no poço perfurado.
