NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
A Petrobras está considerando cancelar um leilão de gás de cozinha que houve nesta semana, após críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O leilão gerou um aumento muito alto no preço, o que preocupou o governo e o setor.
Em entrevista à TV Record Bahia, nesta quinta-feira (2), Lula chamou o leilão de injustiça e afirmou que ele foi feito sem respeitar as orientações do governo e da própria Petrobras. “Vamos cancelar esse leilão, porque o povo pobre não deve pagar esse preço alto causado pela guerra”, disse o presidente.
O leilão, que foi adiado da semana passada enquanto a Petrobras e o governo discutiam formas de controlar os custos, acabou acontecendo na terça-feira (31). Na venda, a Petrobras negociou cerca de 11% do gás de cozinha que espera usar em abril. Os preços chegaram a subir até 117%, mais que o dobro do preço original na refinaria.
Embora a Petrobras ainda não tenha se manifestado oficialmente, apuramos que a alta direção da empresa comunicou ao governo que o leilão não foi autorizado por eles.
Um dos motivos para cancelar o leilão é a lei 1.340, aprovada em março, que prevê multas para quem aumentar preços de combustíveis de forma abusiva.
A Petrobras não aumenta o preço do gás vendido em suas refinarias desde julho de 2024, usando os leilões para ajustar o valor parcialmente conforme o preço do gás importado.
Desde o começo da guerra no Oriente Médio, o custo do gás importado para o Brasil subiu 60%, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), pressionando ainda mais a Petrobras.
A empresa Acelen, que possui a maior refinaria privada do país, anunciou um reajuste de 15% no preço do gás, o primeiro desde o começo do conflito. Essa refinaria abastece quase 5% do mercado brasileiro.
O governo também estuda oferecer ajuda financeira para reduzir o preço do gás, pois este é um tema importante para Lula. Em 2025, ele aprovou um programa que ampliou para 15 milhões o número de famílias de baixa renda que recebem botijões de gás gratuitamente.
As empresas distribuidoras alertaram o governo que, com o aumento dos preços, é preciso revisar o preço de venda dos botijões no programa social. Em uma carta ao Ministério de Minas e Energia, mencionam o aumento feito pela Acelen e os leilões da Petrobras como principais razões.
Segundo o Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), “manter os preços sem atualizações pode fazer muitas revendas saírem do programa, dificultando a expansão para os cerca de 900 municípios restantes”.

