PEDRO LOVISI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Petrobras afirmou nesta quinta-feira (3) que não tem um calendário fixo para reajustar os preços dos combustíveis com base no mercado internacional e disse que seus preços não estão defasados. A declaração foi feita em resposta a um pedido da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A CVM questionou a estatal após uma reportagem alegar que o diesel estava 86% mais barato e a gasolina 64% mais barata do que o preço internacional, segundo dados da Abicom (Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis).
A Petrobras respondeu que mantém sua estratégia comercial, mesmo com as tensões internacionais causadas pela guerra no Irã.
“Os ajustes de preços são feitos sem um período fixo, para não repassar mudanças momentâneas dos preços internacionais ou da taxa de câmbio para os preços internos, conforme a prática usual da Petrobras que considera suas melhores condições de produção e logística. Quando necessário, os preços são ajustados baseados em análises técnicas e respeitando a governança da empresa”, disse a companhia.
A estatal não concordou com os valores apontados pela Abicom e destacou os recentes aumentos, como o ajuste de R$ 0,38 por litro no preço do diesel A para as distribuidoras. Também lembrou que participa do programa de subvenção do governo federal para o diesel, que paga R$ 0,32 por litro às empresas beneficiadas.
“Portanto, para a Petrobras, o efeito combinado do aumento para distribuidoras e o benefício do programa de subvenção é de R$ 0,70 por litro”, afirmou. “A Petrobras reforça seu compromisso de manter a sustentabilidade financeira e atuar de forma equilibrada no mercado.”
O questionamento da CVM acontece em um momento de preocupação de investidores sobre possível pressão do governo federal para que a Petrobras não aumente os preços dos combustíveis.
Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou um leilão de gás de cozinha organizado pela Petrobras, chamando o evento de “bandidagem” pelo fato de que o leilão teve ágio superior a 100%. Lula afirmou que vai anular o leilão para evitar que as famílias mais pobres paguem preços altos por causa do conflito.
Em 2023, a Petrobras abandonou a política de seguir o preço internacional do petróleo. Essa mudança foi uma promessa de campanha do presidente Lula, que criticava a obrigatoriedade da estatal de acompanhar os preços do mercado mundial, mesmo sendo uma das maiores produtoras. Desde então, a empresa faz ajustes graduais nos preços, sem acompanhar imediatamente as variações do mercado.

