TAMARA NASSIF
FOLHAPRESS
A Petrobras enfrentou uma queda significativa na Bolsa nesta sexta-feira (8), logo após divulgar seus números do segundo trimestre.
Por volta das 13h, as ações preferenciais caíam 4,82% a R$ 30,96, e as ordinárias caíam 7,13% a R$ 33,07. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,18%, ficando em 136.275 pontos.
A estatal registrou lucro de R$ 26,6 bilhões no período, revertendo o prejuízo de R$ 2,6 bilhões do mesmo trimestre do ano passado, mas ficou abaixo dos R$ 35,7 bilhões do primeiro trimestre de 2025.
Além disso, a Petrobras anunciou pagamento de R$ 8,66 bilhões em dividendos aos acionistas.
Apesar da queda no lucro líquido esperada, devido à baixa no preço do petróleo Brent e ao dólar mais fraco impactando receita, Ebitda e lucro bruto, o que surpreendeu negativamente o mercado foi o valor dos dividendos.
Os dividendos anunciados de R$ 8,6 bilhões (US$ 1,6 bilhão), equivalendo a R$ 0,6719 por ação, ficaram aquém da expectativa de R$ 1 por ação, segundo a Ativa Investimentos.
Em relatório, os analistas Regis Cardoso e João Rodrigues da XP previam R$ 11,9 bilhões em dividendos. A diferença ocorre devido a um fluxo de caixa operacional menor, R$ 40,6 bilhões contra os R$ 44 bilhões estimados, e despesas de capital maiores, R$ 22 bilhões contra R$ 20 bilhões previstos.
“Investidores focam na geração de fluxo de caixa livre e no pagamento de dividendos, especialmente em petróleo e gás e para a Petrobras”, destacam os analistas.
Segundo eles, a discrepância no fluxo de caixa operacional não é explicada facilmente pelo capital de giro, com itens como depósitos judiciais, abandono e impostos tendo maior impacto. A conversão do Ebitda em fluxo de caixa será um ponto importante para os próximos resultados.
João Daronco, analista CNPI da Suno Research, concorda e destaca que o nível de investimento foi a surpresa negativa que pressionou o fluxo de caixa livre e, consequentemente, os dividendos.
“Com o novo valor do Brent, esperava-se uma postura mais conservadora nos investimentos, o que não ocorreu, prejudicando o fluxo de caixa livre e frustrando investidores que contavam com dividendos maiores a curto prazo”, explica Daronco.
Para o futuro, ele ressalta atenção ao nível de investimento da Petrobras em relação ao preço do Brent, pois manter esse ritmo pode reduzir a perspectiva de pagamento de dividendos, especialmente considerando os 45% do fluxo de caixa livre que são distribuídos aos acionistas.