SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou nesta quarta-feira (8) que a Petrobras tomou a decisão correta ao afastar o diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, depois das críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre um leilão de gás de cozinha.
Segundo Silveira, a empresa percebeu o descontentamento do presidente Lula em relação à oferta que apresentou lotes com ágio de até 117%, e agiu em defesa de preços melhores para os consumidores.
A saída do diretor foi comunicada na segunda-feira (6), quatro dias após a crítica do presidente em entrevista, quando ele chegou a dizer que a Petrobras cancelaria a oferta, indicando uma possível intervenção na gestão da companhia.
Silveira evitou confirmar diretamente se o governo solicitou a demissão de Schlosser.
“O que o presidente Lula fez foi demonstrar sua indignação, e a Petrobras naturalmente reconheceu esse sentimento e fez a coisa certa, que é defender preços menores para itens essenciais como gasolina, diesel e gás”, afirmou.
O ministro falou durante um encontro de líderes do setor de energia no Rio de Janeiro, destacando que, apesar do respeito à governança da Petrobras, a empresa não deveria promover leilões que elevem os preços dos combustíveis em um momento tão delicado.
“Por mais que respeitemos a governança, o presidente Lula expressou sua verdadeira preocupação. É da natureza dele se indignar”, acrescentou Silveira. Até o momento, a Petrobras não esclareceu as razões da demissão. A presidente da empresa, Magda Chambriard, estava prevista para participar do evento, mas não compareceu.
A ampliação do acesso ao gás de cozinha é uma das principais prioridades do presidente Lula. Em 2025, ele conseguiu a aprovação do programa Gás do Povo, que fornece botijões gratuitos para 15 milhões de famílias de baixa renda.
Antes do leilão, o governo negociava com a Petrobras um programa de subsídio para o GLP importado, que evitaria aumentos de preços. Porém, o leilão ocorreu enquanto as negociações ainda estavam em andamento. O suporte foi anunciado apenas na segunda-feira, quando as distribuidoras já recebiam o produto com preços mais altos.
O aumento nos preços foi repassado para os revendedores, que agora cobram do governo uma elevação no valor pago no programa Gás do Povo, sob risco de perderem o direito de vender o produto.
A Petrobras informou ao presidente Lula que o leilão foi realizado sem a aprovação da alta direção, organizado por uma gerência da área de Schlosser, que acabou sendo responsabilizado pela situação.
Como funcionário concursado, Schlosser deixa o cargo de diretor, mas permanece na empresa atuando como engenheiro. Quem assumirá a direção será a atual diretora de Transição Energética, Angélica Laureano.
Esta é a primeira vez no terceiro mandato do presidente Lula que um diretor é afastado após crítica direta do presidente. Anteriormente, Lula já havia demitido o primeiro presidente da Petrobras neste mandato, Jean Paul Prates, devido a conflitos com o ministro de Minas e Energia.
No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em contexto de alta nos preços dos combustíveis, foram demitidos três presidentes da estatal: Roberto Castello Branco (2021), Joaquim Silva e Luna e José Mauro Ferreira Coelho (ambos em 2022, ano eleitoral).

