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segunda-feira, 30/03/2026

Pessoas desconhecidas que fizeram a fraude no INSS

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Em Brasília

Enquanto os nomes de políticos famosos ganham destaque, um relatório detalhado da CPMI revelou um esquema mais complicado por trás da fraude que movimentou quase R$ 40 bilhões no INSS. Além das ordens políticas, havia um grupo de pessoas técnicas e familiares que criaram uma proteção jurídica bem forte para o esquema.

Um personagem importante dessa trama é Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, Procurador-Geral do INSS, que ajudou a ‘legalizar’ a fraude. Ele usava a Procuradoria do INSS para facilitar a entrada de associações suspeitas no sistema, mesmo quando faltavam documentos, emitindo pareceres que flexibilizavam as regras, o que protegia legalmente os envolvidos. Empresas ligadas à sua esposa, Thaisa Hoffmann Jonasson, receberam cerca de R$ 11,9 milhões dessas associações.

Laranjas Profissionais

O relatório mostra também que parentes dos diretores recebiam esses recursos. Thaisa Jonasson gerenciava uma empresa que recebia muito dinheiro, sem comprovar serviço algum. Os filhos do ex-diretor André Fidelis, Caroline e Eric Fidelis, tinham empresas de tecnologia que atuavam como caminho para o dinheiro das associações, beneficiando a família dos tomadores de decisão.

Conexão Miami e os Golden Boys

O contador Mauro Palombo Concílio, que vive nos Estados Unidos, ajudou a esconder o dinheiro do grupo conhecido como Golden Boys. O dinheiro passava por empresas de fintechs que dividiam os valores em muitas subcontas, dificultando a fiscalização. Depois, eram investidos em criptoativos e imóveis de luxo na Flórida, apagando os rastros da fraude.

Omissão da Dataprev

A Dataprev, estatal responsável pela segurança dos dados, falhou em detectar atividades suspeitas que indicavam fraudes, como milhares de assinaturas feitas em segundos do mesmo lugar. Essa falha pode não ter sido acidente, mas resultado de interferência para impedir que relatórios chegassem ao Ministério Público.

“Franquia” do Crime

O relator Alfredo Gaspar concluiu que o esquema funcionava como uma franquia, com políticos abrindo o caminho por regras e técnicos e familiares cuidando da parte operacional e financeira. Com 60 pessoas denunciadas, o processo vai para o Ministério Público, que decidirá sobre acusações criminais que podem levar à prisão não só dos políticos, mas também dos técnicos e familiares que mantiveram esse esquema fraudulento bilionário.

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