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quarta-feira, 25/02/2026

Pesquisa mostra que público de blocos de Carnaval é menor do que se fala

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Você sabe quantas pessoas a cantora Daniela Mercury reuniu na rua da Consolação, em São Paulo, no último domingo após o Carnaval?

Havia bastante gente, sem dúvida, mas muito menos do que os 2 milhões divulgados pelos organizadores. Essa foi a conclusão da pesquisa conduzida pela professora Mariana Aldrigui, da USP, junto ao grupo Monitor do Debate Político, do Cebrap/USP.

Na verdade, a estimativa correta é de cerca de 20 mil pessoas no auge do Pipoca da Rainha, o bloco liderado por Daniela Mercury.

Em outro exemplo, o Sertanejinho do Teló, comandado por Michel Teló no parque do Ibirapuera, teve uma audiência estimada em 21 mil, valor bem abaixo do milhão anunciado antes do evento.

Será que essas festas foram fracassos? Claro que não. As imagens mostraram muita gente nos locais das apresentações.

O problema está na maneira como são feitas as estimativas de público. Muitas vezes, sem base matemática, se diz que blocos arrastam milhões de pessoas, o que gera confusão e expectativas erradas, conforme aponta a pesquisadora Mariana Aldrigui.

Segundo ela, nossa dificuldade em entender dimensões faz com que números sejam inflados sem fundamento.

Esse problema ocorre em diversos eventos na cidade, como a Parada LGBT+, Marcha para Jesus e eventos políticos, onde números oficiais são contestados por pesquisas independentes que indicam públicos menores.

Novas tecnologias que combinam imagens de câmeras, dados de celular e inteligência artificial estão ajudando a trazer dados mais precisos sobre o tamanho das multidões.

A metodologia usada por Mariana Aldrigui é o P2PNet. Funcionando por meio de drones que capturam imagens aéreas em vários horários, um software identifica e conta as cabeças na multidão. Essa técnica tem 72,9% de precisão e erro médio de 12%, revelando assim números mais reais.

Além disso, a professora usa mapas georreferenciados do GeoSampa para medir o espaço disponível nas ruas onde os blocos acontecem.

Por exemplo, na rua da Consolação, com quase 30 metros de largura, considerando que cada pessoa ocupa cerca de 50 cm por 50 cm, uma fila única de pessoas ocuparia 16,6 km de extensão.

Mariana Aldrigui explica que a dinâmica dos blocos é diferente da dos eventos políticos, com entrada e saída constante de foliões, mas que mesmo assim as multidões não chegam perto dos milhões anunciados.

De acordo com os cálculos, nenhum dos blocos passaria de cem mil pessoas presentes simultaneamente.

Ela enfatiza que ter dados precisos é essencial para planejar infraestrutura, como banheiros e transporte, além de ajudar ambulantes e comerciantes a se prepararem para o público real.

A Secretaria de Segurança Pública informou que não fez estimativas oficiais para este Carnaval em São Paulo.

A Prefeitura da cidade e a equipe de Daniela Mercury não responderam aos pedidos de comentário sobre o estudo.

Em 2025, Mariana Aldrigui já criticava estimativas exageradas feitas pela administração municipal, que apontava 16 milhões de foliões, número maior do que a população total da capital e até acima da soma das populações de outras grandes cidades próximas.

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