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sexta-feira, 23/01/2026

Pesquisa mostra que brasileiros sabem pouco sobre o Holocausto

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Uma pesquisa recente feita no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto em São Paulo mostrou que muitos brasileiros não conhecem bem o Holocausto. Do total de pessoas entrevistadas, 59,3% já ouviram falar sobre o assunto, mas só 53,2% conseguiram explicar corretamente o que foi. Apenas 38% sabiam que Auschwitz-Birkenau foi um campo onde muitas pessoas, principalmente judeus, foram presas e mortas.

A pesquisa foi feita pelo Grupo Ispo para a Confederação Israelita do Brasil (Conib), o Memorial do Holocausto de São Paulo, o Museu do Holocausto de Curitiba e a StandWithUs Brasil. Entre abril e outubro do último ano, 7.762 pessoas de 11 regiões grandes do país responderam ao estudo, mas o Norte do país não foi incluído. Os organizadores querem expandir a pesquisa para outras regiões, inclusive o Norte.

Para mostrar a gravidade do Holocausto, no lançamento da pesquisa, a sobrevivente Hannah Charlier, uma mulher belga de 83 anos, contou sua história. Ela nasceu na prisão durante esse período difícil, quando sua mãe foi morta. Um oficial alemão a salvou e ela foi adotada por um casal que depois veio morar no Brasil. O Holocausto foi o assassinato e perseguição de 6 milhões de judeus na Europa entre 1933 e 1945, feito pelo regime nazista e seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Sergio Napchan, diretor da Conib, disse que o Holocausto é a maior tragédia do século 20, com um terço dos judeus europeus mortos. Também muitas outras pessoas foram vítimas, como prisioneiros políticos, pessoas LGBT e testemunhas de Jeová. Hana Nusbaum, da StandWithUs Brasil, alertou que o tema está sendo banalizado nas redes sociais, com jovens consumindo conteúdos que elogiam o nazismo, o que é muito perigoso, especialmente neste momento em que discursos de ódio estão crescendo.

A principal maneira que as pessoas aprendem sobre o Holocausto é na escola (30,9%), depois em filmes e livros (18,6%) e na internet ou redes sociais (12,5%). Museus e memoriais foram mencionados por apenas 1,7%, mostrando que nem todos têm acesso a esses lugares importantes. Carlos Reiss, diretor do Museu do Holocausto de Curitiba, destacou a importância dos museus para manter a memória viva e combater a violência, o racismo e a homofobia.

A educação é fundamental para evitar que genocídios aconteçam no futuro e para proteger as pessoas do ódio, segundo histórias de sobreviventes como Gabriel Waldman. Sergio Napchan reforçou que a mensagem é “nunca mais”, e que educar e preservar a memória é a forma de construir um mundo melhor e com menos confusão.

O lançamento da pesquisa aconteceu perto do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro. Entre as atividades previstas estão uma cerimônia na Congregação Israelita Paulista no domingo (25), às 18h, e um encontro na Casa do Povo na segunda-feira (28), às 18h20, com a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo.

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