19.5 C
Brasília
sexta-feira, 13/03/2026




Pesquisa da UFRJ encontra 123 canais contra mulheres no YouTube com 23 milhões de inscritos

Brasília
nuvens quebradas
19.5 ° C
19.5 °
18.9 °
88 %
1kmh
75 %
sex
25 °
sáb
25 °
dom
23 °
seg
24 °
ter
24 °

Em Brasília

Pelo menos 123 canais brasileiros espalham mensagens contra as mulheres no YouTube, com mais de 23 milhões de inscritos e quase 130 mil vídeos, segundo estudo do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os dados foram atualizados nesta segunda-feira (9), logo após o Dia Internacional da Mulher. Em 2024, o levantamento identificou 137 canais assim, mas desde então 14 foram excluídos pelos donos ou pela plataforma, e 20 mudaram de nome, embora alguns ainda publiquem esse tipo de conteúdo.

O NetLab ressalta que esses canais ganharam mais seguidores, com aumento de 18,5% nas inscrições desde abril de 2024, ou seja, mais de 3,6 milhões de novos assinantes nos 123 canais restantes.

Os vídeos também rendem dinheiro para os criadores. Em 2024, 80% deles usavam formas de monetizar, como anúncios, programa de membros do YouTube, além de vender e-books ou receber doações por Pix.

Para a pesquisadora do NetLab, Luciane Belín, isso mostra que a misoginia virou um negócio lucrativo. “Não é só opinião deles, mas também uma forma de ganhar dinheiro, baseada em humilhar, diminuir e controlar as mulheres”, explicou.

O estudo usa uma definição ampla de misoginia, englobando não só ódio e violência direta, mas também desprezo, aversão e ideias que colocam as mulheres em posição inferior. Os canais analisados tinham ao menos três vídeos com fala de ódio contra mulheres.

O tema mais comum, presente em 42% dos vídeos, foi o “desprezo pelas mulheres e incentivo à resistência masculina”, convocando homens a não se submeterem às mulheres e a tratá-las mal, além de considerar a igualdade de gênero como uma forma de dominação dos homens.

Foram encontrados conteúdos com palavras pesadas para mulheres, como “burra” e “vagabunda”. Influenciadores usam truques para esconder, como substituir palavras (“mulher” por “colher”) e imagens mostrando mulheres ajoelhadas ou de forma exagerada.

Luciane Belín pede mais responsabilidade das plataformas: “Se misoginia é crime fora da internet, deve ser dentro da internet também. É preciso discutir o papel dessas empresas em relação à lei do país.”

A Google, dona do YouTube, foi contatada, mas não respondeu.

O levantamento aponta que o fenômeno é recente: o vídeo mais antigo é de 2021, mas 88% saíram desde então, sendo 52% entre janeiro de 2023 e abril de 2024. Desde abril, cerca de 25 mil vídeos novos foram postados.

Informações da Agência Brasil




Veja Também