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sexta-feira, 29/08/2025

Perigos de assistir vídeos em velocidade acelerada

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Nos últimos anos, o hábito de assistir vídeos em velocidade acelerada se tornou comum como uma maneira de consumir mais conteúdo em menos tempo. Essa função, disponível em quase todos os aplicativos de vídeo e áudio, como 1.5x ou 2x, é usada para economizar tempo.

Pesquisas indicam que a exposição contínua a estímulos rápidos altera a forma como o cérebro processa informações e se relaciona com o ambiente. Isso pode impactar a concentração, memória, sono e até as relações sociais.

Dopamina e busca por estímulos rápidos

O psiquiatra Elson Asevedo, do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que vídeos acelerados oferecem uma sequência constante de estímulos prazerosos para o cérebro, afetando a regulação da dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e motivação.

“Com o tempo, surge uma ‘tolerância digital’: a pessoa passa a precisar de estímulos cada vez mais rápidos e intensos para sentir prazer”, afirma Asevedo.

Embora não seja idêntico à dependência química, esse comportamento apresenta semelhanças, como dificuldade de parar e desconforto sem o estímulo. O cérebro se adapta ao ritmo acelerado e perde a habilidade de focar em tarefas mais lentas e complexas.

Além disso, segundo Asevedo, áreas cerebrais importantes para o autocontrole e memória, como o córtex pré-frontal e o hipocampo, são afetadas. Isso faz com que o consumo de informações se torne superficial, prejudicando a análise crítica e a atenção contínua.

Principais riscos de assistir vídeos em velocidade acelerada

  • Redução da concentração;
  • Diminuição da tolerância ao tédio;
  • Absorção superficial do conteúdo;
  • Dificuldade para relaxar;
  • Alterações no sono;
  • Irritabilidade e fadiga mental;
  • Impactos negativos na vida social e acadêmica.

Atenção fragmentada e vida diária

O psicólogo Matheus Karounis, do Rio de Janeiro, observa que esse hábito prejudica a capacidade de concentração e aumenta a intolerância ao tédio. O cérebro se acostuma ao ritmo acelerado, dificultando o foco por períodos mais longos.

Karounis ressalta que a discrepância entre a velocidade dos vídeos e o ritmo natural das atividades diárias pode gerar frustração, ansiedade e impaciência. Atividades comuns, como conversar ou estudar, passam a parecer demoradas e desinteressantes.

Consequências para sono, humor e relacionamentos

Asevedo destaca que o uso frequente de vídeos acelerados, principalmente à noite, pode atrapalhar o sono, pois o cérebro permanece em alerta, dificultando o relaxamento necessário para dormir bem.

Além disso, o consumo rápido de conteúdo pode enfraquecer as interações sociais ao reduzir a presença e a profundidade nos relacionamentos. O imediatismo das telas compete com atividades que demandam atenção e tempo, como conversas significativas.

Como minimizar os efeitos negativos

  • Evitar o uso constante de velocidades aceleradas;
  • Fazer pausas frequentes durante o consumo de vídeos;
  • Priorizar atividades presenciais, como leitura e conversas sem telas;
  • Reduzir o uso simultâneo de múltiplas telas;
  • Praticar atenção plena (mindfulness) por alguns minutos diariamente;
  • Refletir sobre a necessidade de acelerar o conteúdo antes de fazê-lo.

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