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sexta-feira, 23/01/2026

Perigos das canetas para emagrecer

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Nos últimos anos, tem crescido muito o uso de medicamentos que ajudam na perda de peso no Brasil. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, a venda desses produtos aumentou 88% em 2025 em relação ao ano anterior. Contudo, o uso indiscriminado das chamadas “canetas para emagrecer” traz preocupações entre os especialistas.

O médico endocrinologista Neuton Dornelas Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), alerta para o uso correto do termo, preferindo “medicamentos para tratar a obesidade” em vez das “canetas emagrecedoras”, pois a caneta é apenas o meio de aplicar o remédio. O uso do termo popular pode levar a interpretações erradas, culpando injustamente quem tem obesidade, que é uma condição complexa. O tratamento eficaz da obesidade depende do conteúdo do medicamento, sempre aliado a uma alimentação saudável e atividade física.

Esses medicamentos foram inicialmente desenvolvidos para tratar diabetes, mas também ajudam na perda de peso. Eles são indicados para pessoas com obesidade (IMC acima de 30) ou sobrepeso (IMC 27 ou mais) que tenham doenças associadas como hipertensão, apneia do sono ou gordura no fígado. O objetivo desses remédios é tratar a obesidade, diminuir os riscos cardiometabólicos e melhorar a saúde, não apenas reduzir peso.

Neuton enfatiza que esses medicamentos devem ser usados por razões de saúde e não apenas estética. A perda de peso inclui perda de gordura e também parte da massa magra, o que pode ser perigoso para quem tem pouca gordura corporal. Esses medicamentos agem no intestino, aumentando a liberação de insulina para controlar o açúcar no sangue, retardando o esvaziamento do estômago e ajudando a manter a sensação de saciedade, além de agirem no cérebro regulando o apetite.

No entanto, a divulgação nas redes sociais e influenciadores promovem uma imagem irreal sobre o emagrecimento, incentivando o uso indevido e a automedicação. Isso aumenta o risco de adquirir produtos ilegais e perigosos. Por isso, é fundamental o papel da medicina, imprensa e órgãos de saúde para orientar a população e garantir práticas seguras.

Cuidados e indicações

Para usar esses medicamentos, é necessária receita médica. Recentemente, a Anvisa proibiu determinados remédios à base de tirzepatida e retatrutida para evitar riscos. A médica endocrinologista Carolina Castro Porto Silva Janovsky explica que esses medicamentos não são uma “anestesia do apetite” mas uma forma de regular a fome e o comportamento alimentar. O uso sem indicação médica pode causar efeitos colaterais como problemas gastrointestinais e pancreatite, além de não trazer benefícios reais à saúde.

Carolina recomenda que a decisão pelo uso desses medicamentos considere o acompanhamento médico, exames e histórico clínico, com metas a longo prazo e atividade física, principalmente musculação, para preservar a massa magra. Ela alerta para cuidados especiais em cirurgias, contracepção e evita o uso de medicamentos falsificados ou manipulados sem controle.

Um caso preocupante citado por Carolina foi o de um paciente com diabetes tipo 1 que usou uma “caneta paraguaia” sem supervisão médica, o que resultou em complicações graves, internação e risco de morte.

Impactos sociais

O estigma associado ao peso e à pressão por padrões estéticos pode piorar a saúde física e mental, aumentando a ansiedade e hábitos alimentares prejudiciais, como destaca Carolina. Uma comunicação responsável e foco na saúde, não na aparência, são cruciais.

A nutricionista funcional Pollyanna Ayub reforça que o uso desses medicamentos deve vir acompanhado de orientação nutricional, para evitar deficiências e promover mudanças reais no estilo de vida. A alimentação adequada é a base para alcançar bons resultados, ajudando na saúde cardiometabólica e equilíbrio nutricional.

Pollyanna observa que a medicação facilita a adesão a novas rotinas, reduzindo a fome e aumentando a saciedade, mas o acompanhamento nutricional é fundamental para criar metas e manter a autonomia do paciente. Ela destaca a importância de eliminar o conceito de alimentos proibidos, para uma relação saudável com a comida.

Experiência com tratamento

A empresária Amanda Maria Fernandes da Guarda, 29 anos, relatou que começou a usar a caneta para emagrecer após o diagnóstico de obesidade grau três e gordura no fígado. Inicialmente, havia recebido indicação para cirurgia bariátrica, mas optou pelo tratamento com remédio injetável sob acompanhamento médico e nutricional.

Amanda conta que sentiu melhoras na disposição, sono, redução da vontade por doces e aumento da autoestima, sem efeitos negativos até o momento, apesar do custo elevado.

Informações finais

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a Anvisa é responsável pelo registro desses medicamentos no Brasil, que pertencem à classe de antidiabéticos análogos ao GLP-1. O tratamento da obesidade na rede pública possui protocolos específicos que incluem avaliação física, exames e suporte psicológico para mudar o estilo de vida.

Existem opções de tratamento para adolescentes e adultos com complicações relacionadas à obesidade, incluindo o uso de Liraglutida 3,0mg e cirurgia bariátrica para casos mais graves. A incorporação de novos medicamentos, como a Semaglutida, está em estudo, seguindo critérios técnicos e econômicos rigorosos.

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