O laudo sobre a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, mostra que as feridas encontradas em seu corpo não são compatíveis com uma queda, descartando a hipótese de acidente doméstico. O documento inclui uma simulação detalhada que prova que ele sofreu várias agressões.
O Ministério Público do Rio de Janeiro anexou essa simulação ao processo. O novo laudo, feito pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia, usou modelagem 3D para concluir que a morte de Henry não foi um acidente.
A investigação eliminou a versão de queda da cama, alegando que a disposição dos móveis e a altura dos objetos não poderiam causar os ferimentos graves encontrados. Mesmo simulações de quedas de diferentes alturas não explicam os traumas verificados.
O laudo descreve que Henry sofreu várias agressões que causaram hemorragia interna. A mãe do menino, Monique Medeiros, e o padrasto, Jairo Souza Santos Junior, são réus no caso.
A defesa do padrasto diz que a acusação usa informações parciais e incompletas, alegando que foram criadas imagens sensacionalistas e ignoradas provas técnicas que refutam essa versão. A defesa de Monique não respondeu ao contato, mas atualizações serão feitas se houver retorno.
O julgamento está marcado para 23 de março. A Justiça do Rio de Janeiro negou um pedido de suspensão urgente do processo feito pela defesa de Jairo, que alegava ilegalidades e necessidade de mais investigações.
O advogado da defesa questionou a perícia feita no corpo de Henry, argumentando que o exame durou apenas 44 minutos, tempo insuficiente para conclusões precisas. Ele também contestou a falta de presença do perito em momentos importantes da investigação e a origem suspeita das fotos do corpo da criança, que apareceram no processo apenas 40 dias após a morte, sem metadados e sem autoria clara.
A Justiça entendeu que não há necessidade de suspensão imediata, pois as contestações podem ser analisadas antes do julgamento. O desembargador responsável destacou que há tempo suficiente para revisar os pontos levantados.
Resumo do caso
Henry Borel faleceu em 8 de março de 2021. Segundo a polícia, ele sofreu 23 ferimentos por agressão. A causa da morte foi hemorragia interna e laceração no fígado provocadas por traumas contundentes.
No dia da morte, Henry foi levado ao hospital pela mãe, Monique Medeiros, e pelo padrasto, Jairo. Ambos afirmaram que ele sofreu um acidente doméstico. Contudo, o Ministério Público acredita que o crime ocorreu por motivo torpe, pois Jairo teria visto Henry como um problema na relação do casal.
Jairo está proibido de exercer medicina desde junho de 2021 e teve o registro profissional cassado em março de 2023. Embora a defesa tenha recorrido, o Conselho Federal de Medicina confirmou essa decisão, barrando novo recurso. A Justiça também cassou o mandato dele como vereador, decisão que foi unânime.
