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Brasília

Pepa cresce nas pesquisas e aposta na força de Planaltina para renovar mandato na CLDF

Deputado Pepa candidato à reeleição para a Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2026
Deputado Pepa, do PP, busca o segundo mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2026.

Deputado do PP chega à eleição com votação crescente, liderança do governo na Câmara Legislativa e forte identificação com a região norte do DF; crise envolvendo BRB e Banco Master aparece como principal ponto de desgaste

O deputado distrital Pepa busca em 2026 seu segundo mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Filiado ao Progressistas (PP), com o número 11011, Pedro Paulo de Oliveira chega à campanha em posição mais conhecida do que quatro anos atrás: além do mandato, tornou-se líder do governo Celina Leão na CLDF e aparece entre os primeiros nomes lembrados espontaneamente pelo eleitor.

Natural da Bahia, Pepa mudou-se para o Distrito Federal aos 18 anos e estabeleceu sua trajetória em Planaltina. Sua atuação política continua fortemente vinculada à região norte do DF, mas o desafio de 2026 é mostrar capacidade de ampliar esse reconhecimento para outras regiões administrativas.

Crescimento constante nas urnas

O histórico eleitoral apresenta uma evolução clara.

Em 2014, Pepa recebeu 4.196 votos. Quatro anos depois, chegou a 10.048 votos e ficou como suplente. Em 2022, avançou novamente e conquistou sua primeira cadeira na CLDF com 15.393 votos.

Isso representa crescimento em três eleições consecutivas e constitui um dos principais ativos de sua candidatura.

Em 2018, a concentração regional já era evidente: somente na 1ª Zona Eleitoral, ligada a Planaltina, Pepa obteve 8.060 votos e alcançou 9,37% dos votos para distrital naquela zona.

A estratégia eleitoral permanece baseada nessa ligação territorial, mas o mandato abriu espaço para ampliar sua exposição em todo o Distrito Federal.

Produção rural e políticas sociais viraram marcas do mandato

Na CLDF, Pepa assumiu a presidência da Comissão de Produção Rural e Abastecimento, posição que manteve para o biênio 2025-2026. O colegiado trata de temas como produção agrícola, regularização rural, abastecimento e segurança alimentar.

Sua atuação inclui discussões sobre fornecimento de energia nas áreas rurais, regularização de terras e demandas de produtores. Em 2025, por exemplo, promoveu audiência para discutir os problemas recorrentes de energia elétrica enfrentados por propriedades rurais do DF.

Na área social, uma das leis de sua autoria estabeleceu medidas para estimular a inserção de mulheres com mais de 50 anos no mercado de trabalho, com prioridade para situações como chefes de famílias monoparentais, mulheres com deficiência e vítimas de violência doméstica. A proposta se transformou na Lei nº 7.269/2023.

Em 2026, a Câmara também aprovou projeto de Pepa que cria uma política distrital de prevenção ao suicídio e apoio psicossocial às famílias afetadas.

Liderança do governo amplia peso político

A posição institucional de Pepa cresceu significativamente neste ano.

Em junho, a governadora Celina Leão o escolheu como líder do governo na Câmara Legislativa. A função transforma o parlamentar no principal articulador do Executivo junto aos demais deputados em votações consideradas estratégicas.

Para a campanha, isso representa maior exposição e demonstra capacidade de articulação. Ao mesmo tempo, cria uma vinculação muito mais direta entre Pepa e a avaliação do atual governo.

Na prática, sucessos da administração podem beneficiá-lo, enquanto crises e decisões impopulares tendem a atingir também quem ocupa a liderança governista.

Pesquisa coloca Pepa em terceiro lugar

A segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, divulgada em agosto, trouxe um indicador positivo.

Na consulta espontânea para deputado distrital, Pepa aparece com 1,4%, em terceiro lugar. Jaqueline Silva lidera com 2,7%, seguida por Chico Vigilante, com 1,7%. Max Maciel e Eduardo Pedrosa aparecem depois, ambos com 1,1%.

O dado precisa ser interpretado com cautela: 62,2% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar para deputado distrital, e pesquisas proporcionais têm capacidade limitada de prever a composição da Câmara.

Mesmo assim, aparecer entre os primeiros em uma pesquisa espontânea é um indicativo importante de recall, especialmente porque o entrevistador não apresenta previamente os nomes dos candidatos.

BRB e Banco Master são o principal ponto de desgaste

A maior vulnerabilidade política recente de Pepa está ligada à crise do Banco de Brasília (BRB).

Em agosto de 2025, ele votou favoravelmente ao projeto que autorizava o BRB a avançar na aquisição do Banco Master. A proposta foi aprovada pela CLDF, mas a operação posteriormente entrou no centro de uma grave crise envolvendo o banco público brasiliense.

Com o agravamento do caso, Pepa afirmou em plenário que os parlamentares não tinham conhecimento das irregularidades que posteriormente vieram à tona e sustentou que a votação autorizava a continuidade da negociação com base nas informações disponíveis naquele momento.

Já em 2026, participou das articulações para a recuperação financeira do BRB e apresentou, ao lado de Wellington Luiz, uma emenda exigindo que qualquer capitalização realizada com recursos ou patrimônio público fosse acompanhada de um plano formal de retorno econômico ao Distrito Federal.

Como líder governista, Pepa também declarou que os responsáveis pelos prejuízos deveriam ser responsabilizados.

Eleitoralmente, porém, seu voto de 2025 pode ser explorado pela oposição e por adversários, especialmente porque a crise do BRB tornou-se um dos assuntos centrais da eleição de 2026.

Quais são as chances de Pepa?

Os indicadores permitem classificar Pepa como um candidato competitivo à reeleição.

A seu favor estão a sequência de crescimento eleitoral — 4.196 votos em 2014, 10.048 em 2018 e 15.393 em 2022 —, a força construída em Planaltina e na região norte, o mandato em exercício e a exposição obtida como líder do governo.

O resultado da pesquisa espontânea reforça essa leitura. Estar atualmente entre os três nomes mais lembrados para a CLDF mostra que seu reconhecimento ultrapassou a votação que originalmente o levou à Câmara.

O desafio será administrar dois fatores: a competição dentro da chapa da União Progressista, formada por PP e União Brasil, e a vinculação política com o governo em um momento em que o caso BRB/Master ocupa espaço significativo no debate eleitoral.

Ainda assim, votação crescente, mandato, base territorial e maior protagonismo institucional colocam Pepa em condições reais de disputar a permanência entre os 24 deputados distritais.

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