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sexta-feira, 29/08/2025

PCC ligado a três nomes principais na operação carbono oculto

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TULIO KRUSE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Três figuras centrais aparecem relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na investigação Carbono Oculto: o líder de um grupo empresarial do setor de combustíveis, um homem suspeito de financiamento do tráfico de drogas e o dono de redes de lojas de conveniência e postos de gasolina.

Iniciada em uma quinta-feira, a operação revelou a infiltração do crime organizado tanto no setor de combustíveis quanto no mercado financeiro. Entre muitos investigados, nove pessoas físicas e 68 jurídicas se destacam por seus papéis no esquema.

Um documento da 2ª Vara Criminal de Catanduva registra essa lista, apontando três nomes ligados diretamente ao PCC: Mohamad Hussein Mourad, José Carlos Gonçalves (conhecido como “Alemão”) e Ricardo Romano.

A sigla PCC surge 39 vezes na decisão judicial, que autorizou buscas, apreensões e bloqueios. Existem outras menções ao grupo em contextos indiretos ou secundários em outras varas criminais.

Mohamad Hussein Mourad

Mourad é considerado um dos operadores principais do grupo criminoso, investigado por fraudes fiscais e contábeis, estelionato e lavagem de dinheiro. Segundo promotores, ele controla uma rede complexa de empresas no setor de combustíveis que ocultam dinheiro ilícito.

Anteriormente já foi alvo da Operação Cassiopeia, que investigou fraudes em empresas relacionadas a combustíveis. A investigação atual indica que ele usava empresas de fachada para movimentar recursos ilegais e ocultar a origem do dinheiro.

Ricardo Romano

Romano é apontado como peça chave para lavagem de dinheiro em empresas ligadas a Mourad, usando declarações fiscais falsas e uma rede de empresas fictícias, como a “Strawberry Lojas de Conveniencias Ltda”.

Ele também foi denunciado por sonegação fiscal em empresas no setor de sucata, mas não foi localizado para se defender até o momento. Seu nome foi citado por um delator do PCC que foi assassinado no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

José Carlos Gonçalves, o Alemão

Gonçalves possui forte ligação com o PCC, sendo suspeito de financiar o tráfico e lavar dinheiro. Sua família tem participação em redes de postos de combustíveis investigadas, onde tenta ocultar sua participação direto usando familiares para aparecer como sócios.

A investigação indica que ele repassou postos para Romano e já foi sócio de um delator morto ligado ao PCC. Gonçalves e sua defesa não foram localizados pela reportagem.

Sobre a operação Carbono Oculto

A Carbono Oculto é considerada a maior operação contra o crime organizado no Brasil em termos de cooperação e alcance, segundo a Receita Federal.

Ela mira mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas suspeitas de diversos crimes, incluindo adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e fraudes fiscais. A ação aconteceu em oito estados brasileiros.

Até o momento da divulgação, seis dos 14 alvos principais foram presos. Há suspeita de vazamento do andamento da operação.

O grupo criminoso controla toda a cadeia do combustível: produção, transporte, armazenamento, distribuição e postos, além de lojas de conveniência.

Nas redes investigadas foram encontradas irregularidades em mais de 300 postos, que enganavam consumidores com bombas adulteradas ou vendendo combustíveis abaixo da qualidade exigida.

Foi apurado que mais de mil estabelecimentos ligados ao grupo movimentaram cerca de 52 bilhões de reais entre 2020 e 2024.

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