Pastor Nivaldo de Almeida, investigado na Operação Fariseus realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso, faleceu neste sábado (5/9), em Cuiabá. Ele estava em tratamento contra um câncer há três meses.
O religioso era alvo de investigação por possível ligação com o Comando Vermelho (CV). Em julho, Nivaldo, sua esposa e filha passaram a ser investigados pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). A polícia suspeita que a família usava um projeto religioso dentro dos presídios de Mato Grosso para beneficiar membros de uma organização criminosa.
A investigação revelou que o grupo utilizava o acesso aos presídios, obtido graças à atividade missionária, para comunicar-se com presos ligados à facção, transmitir mensagens, aproximar familiares de criminosos, movimentar dinheiro e fornecer apoio logístico à organização.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão. A Justiça autorizou a quebra de sigilos telefônico, telemático e bancário e proibiu temporariamente que os investigados entrassem em unidades prisionais através de projetos religiosos.
As investigações começaram após denúncia anônima que indicava a entrega de celulares, carregadores e outros objetos proibidos a líderes do CV dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE).
Os policiais identificaram que a família mantinha comunicação frequente com presos e foragidos da facção, repassando mensagens entre criminosos presos e pessoas em liberdade e intermediando contatos entre lideranças do CV e seus familiares.
Outro ponto investigado foi um esquema de lavagem de dinheiro. A família teria recebido valores do Comando Vermelho, utilizando contas bancárias de parentes e terceiros para dividir depósitos, fazer repasses e ocultar a origem dos recursos. Parte do dinheiro teria sido usada para viagens, compra de veículos e procedimentos estéticos.
A polícia também encontrou evidências de várias viagens da família ao Rio de Janeiro para frequentar uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho.
Durante as investigações, foram localizados vídeos e fotos dos investigados ao lado de foragidos e homens armados, além de registros de crianças portando armas. Também houve registros de videochamadas entre membros do projeto religioso e líderes da facção, incluindo cenas de disparos realizados na comunidade.
Conversas indicaram pedidos para aplicar um “salve”, termo usado por facções para punição de quem desrespeita regras, e negociações relacionadas a armas escondidas em propriedades usadas pela família.
A jovem presa preventivamente é apontada como peça chave na utilização da estrutura familiar e do projeto religioso para facilitar a comunicação e apoiar operações do Comando Vermelho, tanto para membros presos quanto para foragidos.
