O presidente do Paraguai, Santiago Peña, solicitou ao Senado uma extensão de 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment em que está envolvido. O pedido ocorre em meio a uma crise causada pelo fechamento do banco Ueno, que afetou milhões de cidadãos.
O julgamento do impeachment de Peña será retomado no Senado na sexta-feira (6/11). O processo foi iniciado após sua renúncia e aprovado pela Câmara dos Deputados. Ele é acusado de conflito de interesses por ter ligação com o grupo controlador do Ueno Bank.
O presidente argumentou que recebeu a notificação às 22h15 da quinta-feira (5/11) contendo uma acusação extensa, e afirmou que menos de 12 horas para preparar sua defesa seria insuficiente para garantir o devido processo legal.
Na quinta-feira, o Senado ouviu sete deputados que apresentaram as denúncias contra Peña, que inclui favorecimento ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno. Ele foi acionista desse grupo até março de 2025, e também é acusado de omissão na fiscalização pelo Banco Central do Paraguai, além de uma suposta intervenção indevida no Instituto de Previdência Social.
A crise afetou quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos administrados pelo banco, incluindo fundos de aposentadoria. O impacto na confiança no sistema financeiro paraguaio foi um dos pontos ressaltados contra o presidente.
Quem é Santiago Peña
Santiago Peña tem 47 anos e foi eleito presidente do Paraguai em abril de 2023. Filiado ao Partido Colorado, de centro-direita, ele assumiu após Mario Abdo Benítez, que também é do mesmo partido. Peña derrotou o candidato da oposição, Efraín Alegre, nas eleições de 2023.
O Partido Colorado domina a política paraguaia há décadas e é associado a posições conservadoras e nacionalistas. Peña é parte do movimento cartista dentro do partido, ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, que apoiou sua candidatura.
