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Papa Francisco pede solução pacífica para crise eleitoral em Honduras

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papa Francisco pediu neste domingo que a crise eleitoral em Honduras, onde sete pessoas morreram em manifestações violentas, seja resolvida pacificamente.

“Nas minhas orações lembro de maneira especial também do povo de Honduras, para que possam superar de modo pacífico o atual momento de dificuldade”, disse o pontífice depois da tradicional reza do Ângelus diante de milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

papa falou sobre a situação em Honduras poucas horas depois de ter retornado de uma viagem por Mianmar e Bangladesh, marcada pela crise envolvendo a minoria muçulmana dos rohingya.

Uma semana depois das eleições, Honduras segue saber quem será o presidente do país por falta de acordo entre os partidos envolvidos sobre a apuração.

Na sexta-feira, o governo decretou estado de exceção por dez dias para conter as manifestações registradas desde quarta-feira contra uma suposta fraude ocorrida no pleito.

Esses protestos, que deixaram sete mortos, segundo a imprensa local, provocaram cenas de terror pelo país. Várias lojas e imóveis, particulares ou públicos, foram destruídos e incendiados pelos manifestantes.

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    Peru volta a se confinar e veta viagens do Brasil por segunda onda de covid

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    A segunda onda atinge sem trégua várias regiões peruanas desde o início de janeiro, após as festas de fim de ano

    Peru: até terça-feira, 26, o Peru acumulava 40.107 mortes por covid-19 após registrar 220 óbitos pela doença nas últimas 24 horas. (ERNESTO BENAVIDES/AFP/Getty Images)

    O presidente interino do Peru, Francisco Sagasti, anunciou nesta terça-feira, 26, uma quarentena total para Lima e para um terço do país de 31 de janeiro a 14 de fevereiro. O país também proibiu voos vindos do Brasil e da Europa com o objetivo de conter o aumento de casos provocado pela segunda onda de covid-19.

    “Nos últimos dias, testemunhamos o rápido aumento de contágios por covid-19. Todos devemos contribuir para que o sofrimento não se estenda a novas pessoas”, disse Sagasti, ao justificar a medida durante um pronunciamento surpresa à nação. “Aprovamos um conjunto de medidas direcionadas que têm como objetivo controlar a expansão da pandemia”.

    A segunda onda atinge sem trégua várias regiões peruanas desde o início de janeiro, após as festas de fim de ano. O número de contágios diários aumentou de mil para mais de cinco mil, e as mortes dispararam de uma média de 40 por dia para mais de 100.

    A quarentena será obrigatória e deve reduzir a circulação de 16 4 milhões de habitantes – metade da população do país. O governo também determinou o fechamento de igrejas, cassinos e academias. Apenas estabelecimentos comerciais essenciais como mercados, farmácias e bancos poderão funcionar.

    As regiões envolvidas são Lima, Ancash, Pasco, Huánuco, Junín, Huancavelica, Ica, Apurímac e El Callao, onde os casos confirmados dispararam desde o início de janeiro. Nas demais regiões do país são mantidas as restrições do toque de recolher e a proibição de reuniões sociais.

    O governo também prolongou até 14 de fevereiro a proibição de voos da Europa e incluiu o Brasil nesta relação devido à nova cepa do coronavírus descoberta no país vizinho.

    Até terça-feira, 26, o Peru acumulava 40.107 mortes por covid-19 após registrar 220 óbitos pela doença nas últimas 24 horas. O número não era registrado desde o pior momento da pandemia no país, entre julho e setembro de 2020. O total de infecções chegou a 1,1 milhão, com 4.444 novos casos confirmados.

    Vacinas

    Sagasti disse que as vacinas são a saída para a crise e prometeu celeridade no recebimento dos imunizantes. Ele disse que o primeiro milhão de uma encomenda de 38 milhões de doses da vacina da Sinopharm chegará “nos próximos dias”. A campanha de inoculação começará em fevereiro.

    O Peru também tem acordo para comprar 14 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca-Oxford. Seus reguladores ainda estão avaliando os pedidos de uso de emergência do Instituto Gamaleya da Rússia, que produz a Sputnik V, e da Pfizer. (Com agências internacionais).

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    Portugal proíbe voos do Brasil devido a nova variante encontrada em Manaus

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    A regra também vale para voos do país europeu com direção ao território brasileiro

    Portugal: na terça-feira, 26, o país europeu registrou 291 novas mortes por coronavírus, um recorde, elevando o total de óbitos para mais de 11 mil (Alexander Spatari/Getty Images).

    O governo de Portugal decidiu suspender os voos do Brasil entre 29 de janeiro e 14 de fevereiro devido à nova variante do coronavírus identificada no Amazonas e que já se espalhou para outros Estados. A regra também vale para voos do país europeu com direção ao território brasileiro.

    “Até o dia 14 de fevereiro, estão suspensos todos os voos, comerciais ou privados, de todas as companhias aéreas, de e para o Brasil. As regras agora estabelecidas são igualmente aplicáveis aos voos de e para o Reino Unido“, diz um comunicado do governo português.

    Na nota, as autoridades ressaltam o aumento dos casos de covid-19 em Portugal, a evolução da situação epidemiológica a nível mundial e a detecção de “novas estirpes” do vírus.

    Na terça-feira, 26, o país europeu registrou 291 novas mortes por coronavírus, um recorde, elevando o total de óbitos para mais de 11 mil.

    De acordo com o governo português, serão permitidos os voos de natureza humanitária para repatriamento de cidadãos.

    A entrada em Portugal de pessoas que têm autorização de residência no país também serão autorizadas, mas com a exigência de teste negativo de covid-19 realizado nas 72 horas anteriores ao embarque.

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    Chile aprova uso emergencial da vacina da AstraZeneca contra covid-19

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    Vacina se tornou o terceiro imunizante autorizado no país, após as vacinas da Pfizer e Sinovac

    Vacina da AstraZeneca contra a covid-19: Chile espera receber 6 milhões de doses da vacina (Dado Ruvic/Reuters)

    O Chile aprovou nesta quarta-feira, 27, a vacina contra a covid-19 do laboratório britânico AstraZeneca, do qual espera receber 6 milhões de doses, e se tornou o terceiro imunizante autorizado após o da americana Pfizer e o da chinesa Sinovac, informou o Instituto de Saúde Pública (ISP).

    Um comitê de especialistas do ISP autorizou o uso da vacina britânica, após concluir que tem 64% de eficácia contra a covid-19. A aplicação do imunizante será feita em duas doses com 28 dias de intervalo, em maiores de 18 anos, para determinar que é “segura e eficaz”, explicou o diretor da instituição, Heriberto García, durante coletiva de imprensa.

    “Não podemos estar mais contentes de que tenhamos conseguido uma terceira vacina para o Chile”, depois de ter aprovado a Pfizer/BioNtech em 16 de dezembro e a Sinovac na semana passada, explicou García.

    O Chile espera receber 6 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, mas o diretor do ISP disse que não tem “uma data propositiva” para sua chegada.

    A autorização da vacina britânica no Chile ocorre em meio a uma polêmica provocada pelo anúncio na sexta-feira passada da AstraZeneca sobre atrasos na entrega das doses encomendadas pela União Europeia, que tinha previsto dar seu aval a esta vacina nesta semana.

    O Chile já acordou com a Pfizer a chegada de 10 milhões de doses, das quais já chegaram mais de 150.000. Enquanto isso, a Sinovac também prometeu 10 milhões e nesta quinta-feira são esperados os primeiros 2 milhões de imunizantes do laboratório chinês, confirmou o presidente chileno Sebastián Piñera em sua conta no Twitter.

    Piñera assegurou o fornecimento de 30 milhões de vacinas, com o objetivo de imunizar 15 milhões dos 18 milhões de habitantes do país até junho de 2021

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    Em Davos, Merkel manda recado a big techs e EUA diz que é preciso evitar monopólios

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    Em discurso no Fórum Econômico Mundial, Merkel disse que os governos têm de se preocupar com processos de “concentração” e que o coronavírus expôs as fragilidades dos sistemas econômicos

    Merkel: “Em tempos de globalização, quando se persegue uma política nacional, há que se pensar na interconexão global” (Hannibal Hanschke/Reuters)

    Após fala do presidente chinês Xi Jinping abrindo o Fórum Econômico Mundial e pedindo maior “cooperação” entre os países, a chanceler alemã Angela Merkel também defendeu a necessidade de medidas globais no segundo dia do evento, na manhã desta terça-feira, 26.

    Na fala, Merkel disse que a pandemia “mostrou de forma muito clara o quanto estamos interconectados” e que está é a “era do multilateralismo”. Mas não sem regras: a chanceler pediu competição no mundo tecnológico e, citando o discurso de Xi no dia anterior, afirmou que não acredita que o caminho a seguir seja uma divisão do mundo entre China e EUA.

    Merkel afirma que a pandemia testou “a resiliência de nossos sistemas e sociedades” e que “nossa vulnerabilidade ficou óbvia”. A alemã usou como exemplo o fato de a pandemia possivelmente ter começado em animais e se espalhado para humanos — mostrando como o ser humano também é parte da natureza, independentemente dos avanços tecnológicos.

    Perguntada sobre o discurso de Xi Jinping, Merkel disse que concorda com o chinês sobre a importância do multilateralismo mas disse que não há concordância “imediata” quando o debate se volta aos “sistemas sociais diferentes” entre os países — em crítica à falta de democracia na China. “A China se comprometeu ao quadro das Nações Unidas, e a dignidade do indivíduo tem um papel nesse quadro, então… temos de discutir essa questão, não importa de qual sistema social viemos”, disse, defendendo também que as relações comerciais exigem transparência.

    Apesar das críticas ao modelo político chinês, Merkel também comentou indiretamente a guerra comercial entre China e EUA, deixando claro que a Europa não deve, neste momento, ter um lado claro no confronto. “Eu gostaria muito de evitar a construção de blocos, não acho que faria justiça a muitas sociedades se disséssemos: aqui estão os EUA, e lá está a China, e estamos nos agrupando com um ou outro. Não é meu entendimento de como as coisas devem ser.”

    No fim do ano passado, União Europeia e China assinaram um histórico acordo de investimentos que mostra uma posição de maior independência europeia, segundo especialistas, após anos de distanciamento com os EUA no governo Donald Trump. Uma reaproximação com a Europa deve estar entre as principais medidas do novo governo de Joe Biden.

    Freio nos monopólios e capitalismo de stakeholder

    Em diversos momentos da fala, Merkel também citou uma preocupação com “processos de concentração” nas empresas, que, segundo ela “têm de ser parados caso se tornem muito poderosos”.

    Citando o governo novo governo Biden, a chanceler disse que tem esperança de que, “especialmente com a nova administração americana”, a OCDE (grupo de economias desenvolvidas) possa continuar um trabalho de discussão sobre taxação, em especial a empresas digitais.

    “Estamos em uma posição melhor para olhar a importância global de leis de competição de modo a prevenir monopólios. Porque nós de fato temos essas tendências, em todo o mundo. E temos que endereçar isso”, disse, sem citar companhias específicas, mas em claro recado às grandes empresas de tecnologia americanas, como Google, Facebook, Amazon e Apple.

    A falta de concorrência no setor vem sendo questionada especialmente na Europa nos últimos anos, mas também dentro dos EUA. Merkel afirma que, se esse desafio não for enfrentado — ou se o for “de forma insuficiente” –, o mundo terá monopólios e muitos problemas.

    Questionada sobre o papel do Estado e o capitalismo de stakeholder, que defende a geração de valor a todas as partes interessadas no negócio — um dos principais temas deste ano em Davos –, Merkel disse que é preciso encontrar “um balanço certo” entre as ações dos Estados e das empresas, de modo a não minar o empreendedorismo e a criatividade.

    Disse, no entanto, que o Estado seguirá sendo crucial na busca por soluções — e frisou que essas medidas devem levar em conta o contexto do mundo, não só de seu próprio país. “Em tempos de globalização, quando se persegue uma política nacional, há que se pensar na interconexão global”, disse. Dentre os exemplos de medidas que cabem aos governos em todo o mundo, ela voltou a citar ações contra a concentração empresarial.

    Merkel também comparou o capitalismo de stakeholder à chamada social market economy (economia de mercado social), o modelo que predominou na Europa pós-Segunda Guerra e que busca combinar um mercado capitalista livre com políticas sociais que estabeleçam competição justa e um estado de bem-estar social, com acesso a saúde, educação e outros direitos básicos. “Acredito que o capitalismo de stakeholder e a economia de mercado social são idênticas”, disse.

    Sobre os temas ambientais, disse que é preciso que os países tenham “a mente aberta” para as novas tecnologias e que o mundo deve mudar suas políticas energéticas, avançando para frentes como carros elétricos e energias renováveis. Defendeu também que os governos devem colocar preços nas emissões de poluentes. “E isso tem de ser obrigatório, pois não acredito que nenhuma empresa individualmente faria isso por si mesma, ou o faria de forma rápida o suficiente — ao menos, não a totalidade das empresas”, disse.

    Países em desenvolvimento

    Merkel disse que a Alemanha defende que União Europeia, em seu plano de recuperação, não diminua o investimento na cooperação com países mais pobres, mas que “faça mais”.

    “Estamos em um perigo presente claro que depois da pandemia nos termos mais voltados para dentro: industrializemos países, concentremos em nossas próprias políticas, e não nos importemos com os países em desenvolvimento. É algo que temos que evitar a todo custo”, disse.

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    FBI intensifica repressão a milícias antes da posse de Biden

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    Analistas alertam que a retórica divisiva de Trump alimenta essas facções. Capitólio é esvaziado após alarme falso

    (crédito: AFP / Mathieu Lewis-Rolland)

    A poucas horas da posse do democrata Joe Biden e do fim do governo do republicano Donald Trump, a capital, Washington, e as principais cidades dos Estados Unidos reforçaram a segurança, ante o temor de protestos violentos. O FBI (a polícia federal norte-americana) ampliou as investigações sobre a participação das milícias Oath Keepers (“Guardiões do Juramento”), Three Percenters (“Três Porcento”) e Proud Boys (“Garotos Orgulhosos”) na invasão ao Capitólio, no último dia 6, e alertaram que seguidores do magnata preparam manifestações armadas nos 50 estados. Na tarde de domingo, John Schaffer, 52 anos, entregou-se aos agentes depois de ser fotografado, no Congresso, usando um chapéu com a frase “Oath Keepers Lifetime Member” (“Membro vitalício do Oath Keepers”). No mesmo dia, Robert Gieswein, 24, integrante do Three Percenters, foi indiciado pelo ataque. Enquanto isso, membros do grupo Boogaloo Boys, ávidos por uma segunda Guerra Civil Americana, brandiram armas nas ruas de Salem (Oregon) e Richmond (Virgínia).

    Apesar de contrária ao governo, a maioria das milícias de extrema-direita se alimentou do discurso de Trump. Os seus integrantes estampam a bandeira dos EUA com orgulho e disseminam teorias conspiratórias e fake news. Especialistas admitiram ao Correio que os grupos armados se impõem como ameaça à democracia. O medo de simpatizantes do republicano sabotarem a posse de Biden levou ao isolamento da Casa Branca e do Capitólio com arame e concreto. Mais de 20 mil membros da Guarda Nacional vigiam Washington. Um ensaio da cerimônia foi interrompido, ontem, por um “incidente de segurança”. Testemunhas relataram fumaça em área próxima ao Congresso. Após o prédio ser esvaziado, as autoridades anunciaram alarme falso.

    Professor da Faculdade de Preparação para Emergências, Segurança Interna e Cibersegurança da Universidade de Albany (Nova York) e autor de Oath Keepers — Patriotism and the edge of violence in a right-wing antigovernment group (“Oath Keepers — Patriotismo e o limite da violência em um grupo antigoverno de direita”), Sam Jackson atribuiu a milícias de extrema-direita a principal ameaça contra a democracia. “São um risco aos valores da democracia deliberativa pacífica. Elas insistem que a política dos EUA está falida, que as eleições não funcionam e que o sistema é fraudado”, explica ao Correio.

    De acordo com Jackson, as milícias operam dentro de salvaguardas da Primeira e da Segunda Emenda, que versam sobre a liberdade de expressão e o porte de armas. “A compreensão que elas têm em torno das garantias constitucionais não importa de uma perspectiva legal. É verdade que muitos estados nos EUA têm leis ou disposições constitucionais que proíbem organizações paramilitares desprovidas de vínculos com o governo”, afirma.

    “As milícias promovem narrativas de conspiração que deslegitimam o processo democrático e o governo”, admite Arie Perliger — professor da Faculdade de Criminologia da University of Massachusetts Lowell e autor de American zealots: Inside right-wing domestic terrorism (“Zelotes americanos: Por dentro do terrorismo doméstico de direita”). Segundo ele, as facções usam as mídias sociais para ampliar a capacidade operacional a todo o território norte-americano. Em 2013, Stewart Rhodes, líder da Oath Keepers, externou a intenção de espalhar “tropas” pelo país para fornecer segurança “durante crises”. “A presença de policiais e de veteranos nas milícias lhes proporciona acesso à experiência militar e facilita a apresentação como se fossem patriotas”, acrescentou Perliger.

    Richard Fontaine, diretor do Center for a New American Security, em Washington, lembra ao Correio que grupos domésticos têm matado mais nos EUA do que facções terroristas, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. “A combinação de incitamento, violência e ilegalidade vista no ataque ao Capitólio pôs em xeque a democracia americana.” Ele diz que as milícias se valem de um ecossistema de comunicações, no qual atores-chave circulam teorias da conspiração, disseminam desinformação, expressam queixas e se organizam. Hoje, na véspera de deixar a Casa Branca antes da posse de Biden, Trump deve anunciar mais de 100 perdões.

    FBI indicia filho de brasileiros

     (crédito: Facebook/Reprodução)

    crédito: Facebook/Reprodução.

    A mensagem foi deixada por Samuel Camargo, 26 anos, em seu perfil no Facebook, à 1h54 de 7 de janeiro, apenas algumas horas depois da invasão ao Capitólio. “A todos os meus amigos, familiares e às pessoas dos Estados Unidos. Peço desculpas por minhas ações, hoje, no Capitólio, em D.C. Estive envolvido nos eventos que ocorreram hoje cedo. Sairei de todas as mídias sociais em um futuro próximo e cooperarei com todas as investigações que possam surgir sobre meu envolvimento. Lamento a todas as pessoas que decepcionei, pois isso não é o que sou nem o que eu defendo”, escreveu Camargo, que é filho de brasileiros, nasceu em Boston e vive em Fort Myers (Flórida). Às 15h57 do dia seguinte, ele publicou na rede social: “Acabei de falar com um agente do FBI (polícia federal americana). Acho que fui inocentado)”. Centenas de pessoas o criticaram e o ofenderam ao responderem a publicação.

    Camargo foi indiciado pelo FBI por obstruir o trabalho das forças de segurança; invadir área restrita sem permissão; cometer violência física contra pessoas ou propriedades em áreas restritas; e por adotar uma conduta desordenada ou perturbadora para interromper uma sessão do Congresso. Testemunhas contaram ter visto o homem em diferentes momentos da marcha que antecedeu a invasão e em meio aos distúrbios no Capitólio. Ele teria posado para foto, no Instagram, ao lado de um “pedaço de metal” do prédio do Congresso, o qual teria sido retirado como recordação. O Correio tentou entrevistar amigos e familiares de Camargo, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

    Pontos de vista

     (crédito: Arquivo pessoal)

    crédito: Arquivo pessoal.

    Por Sam Jackson

    Contrários ao governo
    “Existe amplo movimento de pessoas nos EUA que veem o governo como problemático; que têm compreensão absolutista dos direitos de usar armas de fogo. É importante ver o continuum na extrema-direita, que inclui grupos que planejam a violência proativa e a defensiva. As milícias Oath Keepers e Three Percenters são favoráveis a Trump, mas não ao establishment. A percepção é de que o governo significa uma ameaça aos americanos.”

    Professor da Faculdade de Preparação para Emergências, Segurança Interna e Cibersegurança da Universidade de Albany (Nova York)

    Por Arie Perliger

    Supremacia branca e antissemitismo
    “O ethos do movimento das milícias de extrema-direita foi dominado, em seus primeiros anos, pela crença na ‘Nova Ordem Mundial’, em que o governo é visto como entidade sequestrada por ‘forças’ estrangeiras que visam promover a fusão dos EUA em Nações Unidas ou outra versão de governança global. Essas teorias da conspiração foram fundidas em ideias nativistas e antiglobalistas. No início da década de 1990, líderes de milícias adotaram a supremacia branca e antissemitismo.”

    Professor da Faculdade de Criminologia e de Estudos da Justiça da University of Massachusetts Lowell

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    Opositor Navalny será julgado nesta quarta na Rússia por difamação

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    Alexei Navalny foi preso no domingo, ao voltar para a Rússia procedente de Berlim. Ficará preso pelo menos até 15 de fevereiro, no âmbito de um procedimento por violação de um controle judicial

    (crédito: Dimitar DILKOFF / AFP)

    Detido desde seu retorno à Rússia no domingo (17/01), o opositor Alexei Navalny será julgado nesta quarta (20/01) por difamação de um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, crime punível com multa, ou prisão – anunciaram seus advogados nesta terça (19/01).

    O comitê de investigação russo abriu este processo de difamação contra Navalny em julho, acusado de ter divulgado “informações mentirosas e injúrias à honra e à dignidade” de um veterano da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

    A pessoa envolvida havia manifestado na televisão seu apoio ao referendo constitucional do verão passado para reforçar os poderes de Vladimir Putin.

    A investigação do caso foi suspensa durante a hospitalização do oponente na Alemanha, após seu suposto envenenamento em agosto. Navalny acusa o Kremlin pelo ocorrido, e as autoridades russas negam qualquer envolvimento.

    Navalny foi preso no domingo, ao voltar para a Rússia procedente de Berlim. Ficará preso pelo menos até 15 de fevereiro, no âmbito de um procedimento por violação de um controle judicial. Está detido em Moscou, em quarentena, devido à pandemia da covid-19.

    A depender da gravidade dos fatos, a difamação pode ser punida com multa de até 5 milhões de rublos (US$ 57 mil) e cinco anos de prisão. Também pode ser alvo de penas mais leves, como trabalho de interesse geral.

    O serviço penitenciário russo havia alertado que Navalny seria preso em seu retorno, por ter violado o controle judicial que lhe foi imposto como parte de uma pena de cinco anos de prisão sob sursis por peculato. O opositor de Putin insiste na motivação política deste caso.

    Desde o final de dezembro, ele é alvo de uma nova investigação de fraude por suspeita de ter gastado 356 milhões de rublos (US$ 4,8 milhões) em doações para seu uso pessoal.

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    quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

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