GUILHERME W. ALMEIDA
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) enviou à Justiça uma resposta às dúvidas levantadas por credores e pelo Ministério Público sobre seu plano de recuperação extrajudicial, reforçando o pedido para que o plano seja aprovado.
O GPA afirmou que as empresas que contestam o plano tentam impor condições que não têm respaldo na lei. A empresa também destacou que ninguém conseguiu provar os problemas apontados.
Algumas empresas, entre varejo, transporte, logística e software, rejeitaram a proposta do GPA alegando que a reestruturação seria injusta em relação aos bancos. Para aprovar a recuperação extrajudicial, é preciso maioria simples, mas o processo pode começar com aprovação de pelo menos 33% dos créditos. Depois, em até 90 dias, o apoio deve chegar a mais da metade, para validar o acordo.
O GPA afirmou que já alcançou essa maioria apesar das contestações, garantindo que o apoio real está entre 52,94% e 57,49%, acima do mínimo exigido por lei.
O grupo também critica o pedido do Ministério Público e de credores para nomear um administrador judicial, que é comum em recuperações judiciais, mas opcional nas extrajudiciais. A empresa afirmou que essa nomeação é necessária apenas em casos de fraude ou dificuldade na análise, e que essas situações não se aplicam ao seu caso.
As credoras querem uma verificação detalhada dos créditos elencados pelo GPA, mas a empresa argumenta que muitos desses pedidos são excessivos e impossíveis de atender, referindo-se a isso como “prova diabólica”.
O GPA ressaltou ainda o apoio do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que destacou a preocupação dos trabalhadores com a demora na definição da reestruturação, que gera insegurança e complica o planejamento dos empregos.
A varejista concluiu que, se a Justiça aprovar a recuperação em breve, poderá pagar fornecedores no prazo e manter as operações normalmente, mas atrasos podem prejudicar seu caixa e comprometer pagamentos.
Nos dias 14 e 15 de setembro, a Casas Bahia e outras credoras responderam a um pedido da juíza Larissa Gaspar para explicarem suas contestações ao plano do GPA. A empresa de varejo rebateu esses argumentos em seu último documento enviado ao tribunal.
A expectativa agora é por um novo parecer do Ministério Público, que tem prazo ampliado para se manifestar, antes que a juíza decida sobre a autorização da recuperação extrajudicial.
