A Feira Central de Ceilândia é um lugar cheio de histórias de trabalhadores e moradores que mostram como a cidade se tornou um símbolo de resistência e cultura no Distrito Federal. Em 27 de março de 1971, começou a mudança de cerca de 82 mil pessoas que moravam em áreas irregulares pela Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), que deu nome à cidade. Agora, 55 anos depois, Ceilândia comemora o aniversário com um comércio forte, cultura local e uma população dedicada.
A Feira, um ponto turístico conhecido, foi oficializada em 1972, mostrando sua importância para a região. Há também outras feiras importantes para o dia a dia dos moradores, como a do Produtor e do Atacadista, além das feiras da Guariroba, P Sul, Setor O, P Norte e Livre de Guarapari.
Um morador muito conhecido na Feira Central é Francisco Pinho, conhecido como Chiquinho, que trabalha com comidas típicas do Nordeste desde 1980 e é um exemplo das muitas histórias que fazem parte da cidade. Ele é fã de rock e mantém esse estilo em sua banca chamada ‘Rei do Mocotó’.
Elizabeth de Queiroz, que vive em Ceilândia desde 1978, também compartilha seu orgulho. Ela é feirante desde 1980 e valoriza morar perto da Caixa d’Água, um marco histórico da cidade. Para ela, Ceilândia foi onde construiu sua vida e criou seus cinco filhos, e ela expressa muito amor pela cidade.
Ceilândia abriga cerca de 287.113 moradores, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A) de 2024, com quase 60% nascidos na própria cidade e a maior parte dos outros vindos do Nordeste do Brasil, especialmente do Piauí. Essa diversidade é representada em pessoas como Naira Regina Silva, que chegou em 2022 e encontrou oportunidades para recomeçar na cidade.
Marlene Nascimento, que veio de Taguatinga em 1978 em busca da casa própria, lembra das dificuldades iniciais, como ruas sem saída e falta de transporte, mas também fala da luta pelos direitos e melhorias na cidade. Ela inspira seus filhos, que hoje atuam em causas sociais, a continuarem buscando justiça.
A produtora cultural Flávia Nascimento destaca que a Ceilândia tem enfrentado muitos estigmas desde sua fundação, mas grupos como o Atitude, criado em 1988, trabalham para mudar essa visão e mostrar a riqueza cultural da cidade, com música, arte e ações sociais.
Nair Ambrósio, trancista e empreendedora nascida em Ceilândia, enfatiza que empreender na cidade, especialmente sendo mulher negra, é um ato de resistência. Ela superou desafios e preconceitos para estabelecer seu negócio e valoriza a cultura local, participando de projetos que fortalecem a autoestima e a identidade das crianças da comunidade.

