O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, confirmou neste domingo (12/4) a derrota nas eleições nacionais. Com mais de 60% dos votos apurados, o Conselho Nacional Eleitoral indica que o partido de centro-direita Tisza, liderado por Péter Magyar, venceu e deve conquistar a maioria das cadeiras no parlamento, com 136 de 199 assentos.
Em discurso aos seus apoiadores, Orbán admitiu o resultado, elogiando o partido vencedor: “O resultado é doloroso, mas compreensível. Parabenizei o Partido Tisza”, declarou em Bálna.
“Neste momento, o peso da governança não está mais conosco, por isto é importante fortalecer nossas comunidades e garantir aos nossos eleitores que não os deixaremos na mão”, ressaltou Viktor Orbán.
Com 62 anos, Orbán é formado em direito pela Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste. Na Europa, é conhecido por suas posições conservadoras, nacionalistas e contra a imigração.
Durante seu governo, foi criticado pela chamada “agenda anti-gay”. Em 2020, o Parlamento aprovou uma lei que impede casais do mesmo sexo de adotarem crianças, além de emenda constitucional que define o casamento apenas entre homem e mulher, afirmando que “a mãe é uma mulher e o pai é um homem”.
Após quase 20 anos no poder, o político enfrentou desgaste devido à estagnação econômica, aumento do custo de vida e acusações de favorecimento a redes empresariais próximas ao governo.
Aliança com Trump
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump se destacou como aliado de Orbán. Recentemente, Trump afirmou que poderia oferecer apoio econômico à Hungria caso o premiê fosse reeleito.
“Minha administração está preparada para usar todo o poder econômico dos Estados Unidos para apoiar a economia da Hungria, caso seja necessário”, declarou Trump.
Além disso, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, viajou a Budapeste para reforçar o apoio à candidatura de Orbán.
Crescimento da oposição
Péter Magyar, ex-membro do partido Fidesz que rompeu com Orbán em 2024, lidera o partido Tisza que cresceu na eleição, aproveitando a insatisfação com a economia e denúncias de corrupção. Ele defende a liberação de fundos europeus e reformas no sistema de saúde.
Nos dias que antecederam a votação, Orbán acusou seus adversários de tentarem criar caos e de conspirarem com serviços estrangeiros para influenciar o resultado. O governo também mencionou possíveis tentativas de fraude e protestos organizados.

