Gustavo Soares e Pedro S. Teixeira
São Paulo, SP (FolhaPress)
Os telefones públicos conhecidos como orelhões, que foram muito populares no Brasil, estão começando a desaparecer das ruas do país ainda este ano.
Apesar do maior uso da internet e dos celulares, ainda existem cerca de 38,3 mil orelhões, a maioria no estado de São Paulo. Em 2020, havia 200 mil aparelhos, sendo 150 mil da Oi, que está em recuperação judicial.
A retirada dos orelhões acontece porque a telefonia fixa mudou de um sistema de concessões para um sistema de autorizações. Essa mudança foi feita por uma lei aprovada em 2019, permitindo que as empresas adaptem seus contratos e deixem de cumprir algumas obrigações antigas.
Segundo Carlos Baigorri, presidente da Anatel, com o fim do sistema de concessão, as empresas não são mais obrigadas a manter os orelhões, a menos que não haja outra opção de serviço disponível.
Hoje, cinco operadoras são responsáveis pelos orelhões: Vivo, Algar, Oi, Claro e Sercomtel, e todas estão retirando os aparelhos.
Antes, as concessionárias deveriam garantir acesso telefônico em todos os lugares, mesmo onde não dava lucro. Agora, as prioridades mudaram para internet banda larga e rede 5G.
A Vivo, por exemplo, já começou a retirar os orelhões, especialmente em São Paulo, onde o uso caiu 93% nos últimos cinco anos. A empresa planeja investir mais em novas tecnologias como 4G, 5G e fibra óptica.
Em cidades onde a Vivo é a única operadora, os orelhões continuam até 2028, conforme regra da Anatel, mesmo que quase não sejam usados.
A Oi, que também parou de operar como concessionária em 2024, vem reduzindo seus orelhões desde 2020. Hoje mantém pouco mais de seis mil, muitos em manutenção, e só mantém onde não há outras opções de comunicação.
A Algar também planeja desativar seus orelhões e manter apenas aqueles que são a única opção em algumas regiões, com comprometimento ambiental na destinação dos equipamentos.
A Claro e Sercomtel também seguem essa tendência de diminuição dos telefones públicos.
A redução dos orelhões acompanha o aumento do acesso à internet. Em 2024, cerca de 168 milhões de brasileiros, com 10 anos ou mais, acessaram a internet, o que representa 89,1% da população dessa faixa etária, de acordo com o IBGE. Quase o mesmo número possui celular para uso pessoal.
