Na manhã desta quarta-feira (12/8), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou a Operação Narciso, considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes no Brasil. Foram cumpridos 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros. A operação atuou no Distrito Federal e em oito estados: Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná e Minas Gerais.
A investigação revelou um esquema complexo que envolvia a fabricação clandestina, distribuição e venda de produtos proibidos, incluindo anabolizantes, medicamentos controlados e suplementos com substâncias ocultas. Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram fechados, e 10 veículos de luxo foram apreendidos. A organização criminosa contava com a participação de profissionais como nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais.
A operação teve início após a Operação Béquer, desencadeada em fevereiro de 2025, que descobriu laboratórios clandestinos e uma extensa rede de fornecedores e distribuidores. Foram identificados os responsáveis pelas marcas clandestinas AlphaLabs, Mega Burner e Libid Up, além de laboratórios undergrounds como HydraPharmace, Skullredlab, Sypharma, Eurolabs, New Science, GC e Yellow B.
De acordo com o delegado Rodrigo Carbone, a fabricação acontecia de forma artesanal, em locais improvisados e sem qualquer controle sanitário, o que colocava a saúde dos usuários em risco. Substâncias perigosas e proibidas eram usadas, incluindo remédios veterinários e medicamentos controlados, além de aditivos inadequados que causavam graves efeitos colaterais, como infecções, embolias, AVC e até mortes.
Os líderes do esquema incluem Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya, responsável por laboratórios clandestinos em várias regiões do país e no Paraguai, que movimentava cerca de R$ 500 mil por mês; André Luiz de Amorim Junqueira, cabeça da organização da marca Yellow B, que usava casas de apostas para lavagem de dinheiro; Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima, influenciadores digitais que divulgavam e vendiam os produtos; e Eduardo Vieira Euzébio, biomédico que aplicava os anabolizantes mesmo conhecendo a origem ilícita.
Além disso, foram identificados fornecedores de insumos no Paraguai que utilizavam métodos sofisticados para traficar os produtos escondidos em peças de motocicletas. A organização utilizava lojas, restaurantes e até academias como fachadas para o comércio ilegal.
Segundo o delegado, a operação não visa apenas a comercialização ilegal, mas combate um verdadeiro mercado subterrâneo que representa a maior parte do consumo desses produtos no país, destacando os riscos à saúde provocados pelas condições precárias de fabricação e a existência de um esquema altamente organizado e lucrativo.
