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quinta-feira, 19/03/2026




Operação mira distribuidoras por preços altos no DF

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Distribuidoras e postos de combustível no Distrito Federal foram alvos de uma operação conjunta realizada pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Polícia Federal (PF) para coibir a prática de preços abusivos.

A investigação constatou que a gasolina foi vendida a valores elevados, chegando a R$ 6,69 em áreas como Samambaia. Gerentes justificaram os preços altos pela falta de estoque de diesel, o que tem impactado os custos operacionais e, consequentemente, o consumidor final.

Segundo levantamento da ANP e da Secretaria de Fazenda do DF, o preço médio da gasolina comum em março de 2026 deveria estar entre R$ 6,32 e R$ 6,59, diferente dos valores encontrados pela força-tarefa nos postos visitados.

Na operação, seis distribuidoras receberam notificações da ANP, com três delas, Raízen, Ipiranga e Masut, sendo autuadas por práticas consideradas abusivas. A Senacon notificou ainda as distribuidoras Vibra, Raízen e Ipiranga com base no Código de Defesa do Consumidor.

O secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, destacou que esta cooperação entre órgãos de fiscalização, órgãos de defesa do consumidor e autoridades policiais é inédita e fundamental para enfrentar práticas que prejudicam a sociedade.

Além das principais autuadas, outras 11 distribuidoras foram notificadas para esclarecer a composição dos preços praticados, visando identificar possíveis abusos contra o consumidor.

As denúncias indicam que alguns combustíveis comprados a preços antigos estavam sendo vendidos ao consumidor final com valores reajustados, além da retenção de produtos para aguardar novo aumento nos preços.

Ricardo Morishita enfatizou que embora exista liberdade para definir preços, isso não permite abusos, e que qualquer excesso será investigado e combatido.

Momento de cautela

Paulo Tavares, presidente do Sindicombustíveis-DF, afirmou que é importante aguardar o resultado da investigação antes de tirar conclusões. Explicou que as distribuidoras estão ajustando seus estoques e cobrindo o mercado de bandeira branca, que vende combustível sem produto próprio, comprando diesel da Petrobras com ágio.

Ele ressaltou que os revendedores também precisam justificar seus preços. Apesar de reajustar seus valores, cada revendedor deve ter a documentação para comprovar o aumento da compra de combustível.

Impacto no consumidor final

Após a operação, a reportagem constatou que os preços da gasolina na região variavam entre R$ 6,59 e R$ 6,69, com o etanol custando cerca de R$ 5,21 a R$ 5,22, principalmente em Águas Claras, EPTG e Samambaia.

A moradora Joana Ferreira, 50 anos, relatou que tem evitado sair de casa para economizar combustível, pois os preços estão muito elevados, o que tem impactado seu orçamento familiar.

Marcones Nunes, autônomo de 50 anos, classificou os valores como abusivos e adotou estratégias para economizar, como estacionar o carro longe e caminhar mais para cumprir suas tarefas, sempre procurando postos de sua confiança para abastecer.

Já o professor Luiz Felipe Nascimento de Oliveira, 26 anos, reconhece fatores externos que influenciam a alta, mas acredita que os postos também se aproveitam da situação para aumentar os preços antes do esperado, dificultando o bolso do consumidor, que tem poucas opções para fugir dos valores praticados.




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