ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo realizou uma operação nesta quarta-feira (11) contra membros do Comando Vermelho em Rio Claro, interior de São Paulo.
Batizada de Linea Rubra, a ação contou com o apoio da Delegacia de Investigações Gerais de Rio Claro e da Secretaria da Fazenda do Estado.
Foi autorizado o bloqueio de até R$ 33 milhões em contas dos investigados, além do sequestro de 12 imóveis e 103 veículos, e o bloqueio de 35 CPFs e CNPJs.
A Justiça também expediu 19 mandados de prisão preventiva, dos quais 5 foram cumpridos até a manhã de hoje, e 26 mandados de busca e apreensão em endereços nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As identidades dos suspeitos não foram divulgadas, impedindo contato com advogados.
O Gaeco investiga a estrutura financeira, logística e operacional da facção criminosa na região, que estaria envolvida em tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e homicídios.
A operação ocorre após o aumento da violência em Rio Claro devido a disputas entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os alvos está Leonardo Felipe Calixto, conhecido como “Bode” e líder do Comando Vermelho na região. Ele coordena o tráfico em grande escala e controla as finanças da organização, além de autorizar execuções.
Calixto está foragido e escondido em comunidades do Rio de Janeiro controladas pelo Comando Vermelho. Um advogado que o representa não retornou contato para comentários.
As investigações indicam o uso de veículos-fortes falsos para transportar drogas, empresas de fachada e laranjas para lavagem de dinheiro. O grupo movimenta mensalmente cerca de R$ 1,19 milhão.
O esquema financeiro inclui consultorias e construtoras, com participação de familiares, terceiros e empresários do mercado formal.
A Linea Rubra mobilizou 120 policiais, três promotores, 41 viaturas, quatro auditores da Secretaria da Fazenda e o serviço aerotático da Polícia Civil, unidade de elite.
Segundo o Gaeco, a operação marca o limite das instituições estaduais contra o avanço territorial das organizações criminosas em São Paulo.
