A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que recomenda o uso do lenacapavir, um medicamento injetável semestral, como método eficaz para a prevenção do HIV. Essa injeção apresenta eficácia igual ou superior a 99%, comparada aos comprimidos diários usados atualmente no Brasil como profilaxia pré-exposição (PrEP).
O anúncio foi feito durante a 13ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids em Kigali, Ruanda. O lenacapavir é o primeiro antirretroviral injetável e tem o potencial de facilitar o acesso e a adesão à prevenção do HIV.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, destacou: “É a melhor opção disponível enquanto esperamos uma vacina contra o HIV. Estamos comprometidos em trabalhar com países e parceiros para garantir que essa inovação chegue rapidamente às comunidades de forma segura.”
Com apenas duas aplicações anuais, o lenacapavir amplia as opções de proteção para pessoas que têm dificuldade em tomar comprimidos diários. Estudos indicam que até uma aplicação única pode ser eficaz.
O que é HIV e qual a diferença para a aids?
O vírus HIV ataca o sistema imunológico e, se não tratado, pode evoluir para a aids, estágio avançado da infecção. Embora não haja cura para a aids, o tratamento antirretroviral consegue controlar a infecção, permitindo uma vida longa e saudável para quem vive com o vírus.
O tratamento pode reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, o que também impede a transmissão do vírus. O HIV é transmitido por fluidos corporais durante relações sem proteção, uso compartilhado de seringas e da mãe para o filho no parto não assistido.
Beijos, suor ou contato íntimo protegido não transmitem o vírus. O SUS oferece testes rápidos e tratamento preventivo com PrEP, que usa medicamento diário. Procure atendimento médico para saber se a PrEP é indicada para você.
Acesso facilitado e indicação do tratamento
A OMS atualizou o protocolo de testagem para possibilitar o uso dos testes rápidos antes da aplicação do lenacapavir, simplificando o acesso. As injeções poderão ser administradas em clínicas, farmácias e serviços de saúde, além de hospitais.
O medicamento é recomendado para profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas, pessoas trans, detentos e adolescentes iniciando vida sexual.
A OMS incentiva a implementação imediata do lenacapavir, com monitoramento da aceitação, adesão e impacto nos programas nacionais de prevenção.
Avanços no tratamento
A OMS também recomenda, pela primeira vez, o uso dos antirretrovirais injetáveis cabotegravir e rilpivirina para pessoas que já atingiram controle viral com terapia oral, visando melhorar a adesão ao tratamento.
Meg Doherty, diretora do programa global de HIV da OMS, afirmou: “A ciência oferece ferramentas para acabar com a aids como ameaça à saúde pública. O importante agora é implementar essas recomendações com equidade e participação das comunidades.”