CLÁUDIA COLLUCCI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira, dia 3, novas orientações para o tratamento do vício em opioides e medidas para controlar overdoses na comunidade. Essa atualização reflete o crescimento do problema no mundo e a dificuldade de acesso a cuidados adequados.
Segundo dados recentes, cerca de 316 milhões de pessoas usaram drogas em 2023, sendo que aproximadamente 61 milhões fizeram uso de opioides sem indicação médica, como morfina, oxicodona, codeína e fentanil.
Essas drogas são responsáveis por grande parte dos problemas ligados ao uso de substâncias: das cerca de 600 mil mortes anuais relacionadas a drogas, 450 mil são causadas por opioides.
A OMS destaca que o acesso ao tratamento ainda é limitado. Estima-se que 64 milhões de pessoas sofram com transtornos relacionados ao uso de drogas, mas menos de 10% recebem atendimento adequado.
O tema foi discutido durante a Cúpula da Parceria das Cidades Saudáveis, realizada esta semana no Rio de Janeiro, que reuniu cidades do mundo todo para debater políticas públicas contra doenças crônicas e lesões evitáveis.
A OMS reforça que ampliar o acesso a tratamentos eficazes, seguros e baseados em evidências é fundamental para diminuir mortes e complicações.
As novas diretrizes recomendam que países ofereçam tratamentos acessíveis, éticos e de qualidade, além de estratégias para reduzir danos e respostas rápidas a overdoses na comunidade. O destaque é o uso do tratamento de manutenção com medicamentos agonistas opioides (OAMT), como metadona e buprenorfina, que ajudam a reduzir sintomas de abstinência, evitar recaídas e diminuir o risco de overdose.
Uma novidade é a inclusão, ainda que com recomendação condicional, de versões injetáveis de longa duração da buprenorfina. Esses medicamentos aplicados semanal ou mensalmente podem facilitar o tratamento, especialmente para pessoas que possuem dificuldade em tomar comprimidos diariamente.
As recomendações foram elaboradas após um rigoroso processo que avaliou eficácia clínica, custo-benefício, acesso, aceitação e possibilidade de implementação, com base em estudos quantitativos e qualitativos realizados por um grupo internacional de especialistas.
A OMS reconhece que o desafio não é apenas técnico, mas também político e social, já que é preciso garantir que tratamentos comprovados cheguem a populações vulneráveis, muitas vezes excluídas dos sistemas de saúde.
O documento completo, com detalhes sobre as recomendações e orientações para aplicação, está em fase final de revisão e deve ser publicado ainda este ano ou no início de 2027.

