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sexta-feira, 27/02/2026

Oficinas que cobravam R$ 20 mil de idosos por troca de pneu investigadas pela polícia

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Ordem Tributária e Fraudes (Corf), identificou quatro oficinas envolvidas em um esquema que arrecadou cerca de R$ 600 mil aplicando o chamado “golpe do pneu” contra pelo menos 80 idosos na capital federal.

A investigação aponta que os estabelecimentos estão localizados na Asa Sul, no Sudoeste, em Taguatinga Sul e Santa Maria.

As apurações indicam que as oficinas são lideradas por Maurício Fernando Saraiva de Oliveira, 59 anos, considerado o chefe da organização criminosa. Ele foi um dos alvos da Operação Rota Scan III, deflagrada em 25 de fevereiro.

Embora as empresas investigadas estejam formalmente registradas em nome de terceiros, conhecidos como “laranjas”, a PCDF reuniu provas consistentes ligando Maurício à liderança do esquema.

As investigações remontam a 2021, durante a Operação Rota Scam I, quando o foco eram empresas do grupo Grid Pneus, vinculadas a Maurício, que aplicavam golpes semelhantes contra idosos. Na época, foram registradas cerca de 46 denúncias contra a Grid Pneus e Serviços Automotivos por cobranças abusivas por serviços não solicitados ou não executados.

Maurício foi condenado em primeira instância a um ano de reclusão e quatro anos e sete meses de detenção em regime semiaberto por crimes contra o consumo e associação criminosa. Dois gerentes das oficinas também foram condenados.

Apesar da condenação, os investigadores descobriram um padrão que indicava a continuidade da atividade delitiva: as oficinas mudavam frequentemente de nome e sócios, mantendo os mesmos endereços, numa tática para ocultar os verdadeiros responsáveis.

O esquema envolvia o uso de “laranjas”, criação de novas pessoas jurídicas e a manutenção da mesma abordagem abusiva contra consumidores vulneráveis.

A PCDF concluiu que os sócios formais das oficinas atualmente investigadas possuem vínculos diretos com as firmas associadas a Maurício investigadas em 2021, por meio de relações familiares ou empregatícias.

O padrão criminoso repetido, os endereços antigos, as conexões entre os envolvidos e o método de abordagem às vítimas sustentam a imputação da liderança a Maurício.

A investigação foi liderada pelo diretor adjunto da Divisão de Defesa do Consumidor (DDCON/CORF), Rodrigo Carbone, com a equipe, que cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária.

As vítimas principais eram idosos, escolhidos por sua vulnerabilidade. Ao buscar um serviço simples como a troca de um pneu, eram induzidos a aprovar serviços desnecessários. Em seguida, novos problemas eram apontados e os orçamentos chegavam a valores entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.

Os clientes que questionavam os preços eram pressionados e coagidos. O golpe envolvia fraude, intimidação e exploração da boa-fé das pessoas idosas. Em algumas situações, caso se recusassem a pagar, as oficinas ameaçavam reter os veículos.

Múltiplos casos foram relatados: um idoso de 75 anos foi coagido a pagar R$ 17,7 mil por serviços indevidos em 2022. Em 2025, um senhor de 79 anos contratou um balanceamento e recebeu um orçamento inicial de R$ 17,5 mil, pagando ao final R$ 10 mil após reclamações.

Recentemente, uma vítima autorizou a troca de um pneu orçada em cerca de R$ 400. Após o serviço, foi informada da necessidade de substituir várias peças, elevando o custo para R$ 1.890. Após autorizar, o preço final chegou a R$ 4.187 sob pressão. Posteriormente, foi oferecido um estorno de R$ 1,5 mil, e a vítima procurou a PCDF para denunciar o golpe.

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