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domingo, 31/08/2025

Oficinas grátis de crochê na Estrutural para gerar renda e inclusão

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O projeto Vigília Cultural Artesanato, Empreendedorismo & Formação oferece oficinas gratuitas de crochê com o objetivo de valorizar o artesanato local, criar oportunidades de renda e fortalecer a cultura no Distrito Federal.

O programa é financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC-DF) e conta com o suporte da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF).

Durante as aulas, os participantes aprendem a fazer peças de crochê artesanais, como bolsas, blusas curtas e turbantes. O artesanato é um componente importante da economia criativa no DF, com mais de 11 mil profissionais formalizados, e também promove o turismo, inclusão social e o desenvolvimento da comunidade.

“Esse apoio foi essencial para manter a iniciativa. Sem o FAC, seria muito difícil continuar com o projeto”, destaca o produtor e gestor cultural Márcio Apolinário. Segundo ele, o principal objetivo é dar à comunidade a chance de aprender uma habilidade que pode gerar renda. “Com isso, os alunos podem se sustentar e ajudar suas famílias de maneira simples”, afirma.

Esse ciclo foca nas oficinas de crochê, que tiveram maior procura em edições anteriores com outras técnicas como acessórios manuais, flores do cerrado e cestaria. “O crochê atraiu mais pessoas, por isso decidimos repetir”, explica Márcio Apolinário. Ele menciona que outras técnicas podem ser incluídas no futuro, como cerâmica, que exige mais estrutura, como forno, enquanto o crochê é acessível, precisando apenas de linha e agulha para começar a produzir.

O público é majoritariamente feminino, composto por mulheres responsáveis por suas famílias, muitas vezes acompanhadas de crianças pequenas. “Algumas crianças aprendem a fazer crochê ou ficam desenhando. A faixa etária é variada. Homens também participam, mas a maioria são mulheres, muitas em situação de vulnerabilidade. Por isso, além das aulas, oferecemos também um lanche durante os encontros.”

A seleção dos participantes é feita de forma simples, com divulgação em grupos de WhatsApp da comunidade, carro de som, faixas no local e apoio da agência do trabalhador, que auxilia no processo de inscrição. “A adesão foi boa, com cerca de 42 participantes no total. O turno da noite teve maior procura, então fizemos adaptações nas turmas.”

A dona de casa Joana*, 26 anos, decidiu entrar na oficina de crochê vendo nela uma chance de voltar a trabalhar e gerar renda. Mãe de duas meninas, está atualmente fora do mercado de trabalho. “Eu estava cuidando delas em casa, e nossa renda está apertada”, conta.

Joana tenta se reinserir no mercado, mas ficou grávida da filha mais nova logo que voltou a trabalhar. “Tive pressão alta na gestação e precisei sair do emprego”, relata. Após a perda do companheiro, sua situação ficou ainda mais vulnerável. “As assistentes sociais me falaram sobre o curso, e eu aproveitei.”

Mesmo com um bebê recém-nascido, Joana está entusiasmada com a oficina. “Nunca fiz crochê, mas via vídeos. Minha avó é muito habilidosa. Achei legal porque tem peças, como sapatinhos, que estão em alta. Vim pela oportunidade de cuidar da bebê e aprender ao mesmo tempo.”

A diarista Domingas de Jesus, 60 anos, está adorando aprender crochê. Ela soube do curso por um carro de som e nunca havia feito crochê antes. Vê no curso uma oportunidade de conseguir renda extra. “Meu objetivo é aprender, praticar e conseguir uma renda adicional. Vai me ajudar muito”, diz.

Além do aprendizado, Domingas destaca que a oficina tem sido importante para socializar e melhorar seu bem-estar. “Ajuda a distrair, a gente conhece pessoas e se integra mais à cidade. Gostei muito.”

*O nome da entrevistada foi alterado por segurança

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