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domingo, 25/01/2026

O que as eleições na América Latina mostram para o Brasil em 2026

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Em Brasília

A democracia na América Latina vive momentos delicados, refletidos em eleições marcadas por violência política, judicialização intensa, contestação aos resultados e militarização da segurança pública. Esses fatores apontam para um desgaste institucional que se espalha do México ao Chile e lança alertas importantes para o Brasil, que enfrenta 2026 com um cenário de polarização política.

Um episódio recente que destaca essa conjuntura foi a operação militar dos Estados Unidos em Caracas, na Venezuela, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro. Segundo o então presidente Donald Trump, os EUA assumiriam temporariamente o controle do país para combater o narcoterrorismo, tema recorrente e central em diversas nações latino-americanas.

No Equador, a escalada da violência relacionada ao narcotráfico levou a uma eleição permeada por medo e grande presença militar. Daniel Noboa foi reeleito com foco na campanha de “guerra interna” e o uso das Forças Armadas reforçado como estratégia principal, ainda que o pleito tenha sido validado por observadores internacionais.

Na Bolívia, a vitória do candidato Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, encerrou um longo período de hegemonia da esquerda. O papel das Forças Armadas voltou a ser um tema central, reavivando memórias de instabilidades passadas. Já no Chile, após dois fracassos constitucionais e anos de descontentamento, uma virada conservadora marcou o resultado, impulsionada pelo cansaço social e insegurança econômica.

Esses padrões regionais se repetem e têm ecos diretos no Brasil, onde a militarização da segurança pública, a judicialização dos resultados eleitorais e a ascensão de narrativas autoritárias ganham força.

Militarização como foco eleitoral

A segurança pública militarizada passou a ser um eixo central nas eleições latino-americanas. No Equador, Daniel Noboa consolidou uma agenda de combate ao narcotráfico, ampliando poderes militares nas ruas. Em El Salvador, sob o governo de Nayib Bukele, a popularidade vinculou-se a políticas de encarceramento em massa e estados de exceção contínuos.

Especialistas destacam que essa militarização é uma resposta da política diante da incapacidade de resolver desigualdades sociais e fragilidades institucionais, com direitos e democracia sendo vistos como obstáculos.

O retrato brasileiro para 2026

O Brasil já experimenta reflexos dessa lógica de segurança exacerbada. A operação policial em outubro de 2025 nas comunidades do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, marcou-se como uma das mais violentas da história recente, provocando debates intensos sobre segurança pública às vésperas da eleição.

Projetos legislativos relacionados à segurança pública avançam no Congresso, como o PL Antifacção, que prevê penas severas para integrantes de facções criminosas, e a PEC da Segurança Pública, que discute alterações constitucionais importantes sobre o tema.

Judicialização das eleições

Um fenômeno visível em toda a América Latina é a judicialização extrema do processo eleitoral. Em países como Honduras, Guatemala e Venezuela, atrasos, disputas judiciais e contestação aos resultados geram instabilidade.

No Brasil, o desafio reside não só na apuração dos votos, mas na manutenção da confiança da população de que os resultados são legítimos e decididos nas urnas, essencial para a estabilidade democrática.

O avanço das narrativas autoritárias

Na Argentina, El Salvador e Guatemala, discursos que atacam instituições, a mídia e partidos políticos ganham espaço, refletindo uma crise de confiança nas estruturas democráticas.

No Brasil, tais narrativas aparecem em setores variados, especialmente ligados à extrema direita, propondo retóricas de força e exceção, que ampliam a polarização e podem enfraquecer o diálogo democrático, criando espaço para líderes que prometem soluções autoritárias.

Com esse contexto, o cenário eleitoral brasileiro de 2026 se apresenta desafiador, demandando atenção para preservar a democracia e o respeito às instituições.

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