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O futuro de Trump em jogo: julgamento do impeachment começa hoje no Senado

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Seria necessário que 17 dos 50 senadores republicanos no Senado apoiassem o impeachment de Trump, o que, até agora, é visto como bastante difícil

Trump no dia da posse de Biden, em 20 de janeiro: o ex-presidente será julgada pelo Senado a partir desta terça-feira (AFP/AFP)

O Senado começa a julgar nesta terça-feira, 9, o impeachment contra o agora ex-presidente americano, Donald Trump. O impeachment já foi aceito pela Câmara em 13 de janeiro. Trump é acusado de “incitação à ressureição”, por ter, segundo os defensores do impeachment, incentivado a invasão do Capitólio e as cenas de guerra orquestradas por extremistas em Washington D.C. em 6 de janeiro.

Será uma das primeiras votações importantes na nova composição do Senado americano, que não é mais de maioria republicana. A Casa agora está empatada com 50 cadeiras para cada lado — e ligeira vantagem democrata com o “voto de Minerva” sendo da vice-presidente democrata Kamala Harris, uma vez que no modelo americano, os vices são os líderes do Senado.

Ainda assim, para que o impeachment seja aceito, os democratas precisaram de grande dissidência do Partido Republicano. Na Câmara, dos 433 congressistas ao todo, dez deputados republicanos votaram a favor do impeachment, o que foi considerado uma surpresa. O processo precisava somente de maioria simples para ser aprovado.

Já o Senado exige dois terços dos votos. Das 100 cadeiras, seria necessário que 17 senadores republicanos apoiassem o impeachment, o que, até agora, é visto como bastante difícil. Caso Trump seja condenado, o Senado votará, então, por maioria simples, para decidir se será proibido de ocupar cargos públicos no futuro — outro tema caro tanto a parte dos republicanos quanto democratas, que temem uma nova candidatura de Trump em 2024.

O julgamento deve durar dias e chegar à semana que vem. A primeira seção está prevista para começar às 13h (15h no horário de Brasília) com o debate e a votação sobre a constitucionalidade do julgamento. Depois, os argumentos serão ouvidos a partir da quarta-feira e cada parte terá 16 horas distribuídas em dois dias.

Ontem, os advogados de Trump enviaram ao Senado um documento de 78 páginas e pediram o cancelamento do processo, classificado como um “absurdo”.

Os advogados argumentam que seria inconstitucional julgar um ex-presidente, que já deixou o cargo, com base em artigos de impeachment. Afirmam também que a fala de Trump em 6 de janeiro foi “retórica” e que o ex-presidente estaria em seu direito de falar protegido pela Primeira Emenda da Constituição, que garante liberdade de expressão.

Há uma semana, Trump também rompeu com parte de seus advogados, devido a desavenças na condução da defesa e com o ex-presidente querendo insistir na tecla de fraude nas eleições americanas.

De um lado, democratas tentarão pressionar os republicanos a votarem a favor do impeachment como forma de mostrar que o partido não compactua com os ataques à democracia feitos por Trump. Outra expectativa democrata é de apoio por parte de senadores que já faziam algum tipo de oposição interna a Trump. Um dos exemplos é o senador e ex-candidato contra Barack Obama em 2012, Mitt Romney, que é historicamente crítico de ter o Partido Republicano orbitando em torno de Trump somente e disse que um presidente precisa sofrer “consequências” por atos como os de 6 de janeiro — no entanto, Romney ainda não declarou seu voto no julgamento desta semana.

Segundo contagem do Washington Post, há 40 senadores abertamente a favor do impeachment, todos democratas (mais o independente Bernie Sanders) e 37 abertamente contrários, todos republicanos. Há 21 em aberto (12 republicanos) e outros 2 com opinião desconhecida (um republicano). Ainda assim, por essa conta, não há 17 nomes republicanos com possibilidade de apoiar o impeachment.

A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, ouve o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, falar durante uma sessão conjunta do Congresso para certificar os resultados das eleições de 2020 no Capitólio em Washington, EUA, 6 de janeiro de 2021. Erin Scott / Pool via REUTERS

A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, ouve o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, no dia da invasão do Capitólio: liderada por ela, a Câmara aprovou o segundo impeachment de Trump dias depois (Erin Scott/Reuters)

Os republicanos argumentam que não há sentido em seguir com o processo de impeachment uma vez que o presidente já deixou o poder em 20 de janeiro, e que votar pela saída de Trump seria destruir a imagem do partido. A grande pergunta do julgamento é, no fim, o que restaria do Partido Republicano sem Trump e sem a base fiel de apoiadores que ainda o segue — e os republicanos estão há semanas na busca por esse cálculo.

Entre a população, há uma grande divisão partidária sobre apoiar ou não o impeachment. Ao todo, 49,4% é a favor e 45,6%, contra, segundo a média das pesquisas compilada pelo site FiveThirtyEight até agora. Por partido, 84,4% a favor é democrata, 12,4% é republicano e 45,5% é independente.

Até hoje, nenhum presidente americano sofreu impeachment no Senado, Casa que toma a decisão final sobre o processo.

Além de Trump, a Câmara já aprovou outros dois impeachments, ambos de ex-presidentes democratas: Andrew Johnson (em 1868, sucessor de Abraham Lincoln) e Bill Clinton (em 1998). Os pedidos terminaram não passando no Senado posteriormente. Um outro pedido também quase acabou sendo votado na Câmara, contra o republicano Richard Nixon, mas o presidente renunciou antes da votação, se tornando o único presidente na história americana a renunciar.

Trump entrou para a história em 13 de janeiro ao ser o primeiro presidente americano a ter tido dois impeachments aprovados contra si na Câmara. O primeiro foi em dezembro de 2019, quando Trump foi acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso.

O contexto era outro: 2020 foi ano de eleição presidencial e a votação aconteceu antes da pandemia, quando Trump ainda era favorito à reeleição. Desta vez, com Trump já fora do cargo, a dúvida é se os republicanos apoiarão a remoção do presidente.

Às vésperas da votação, o presidente democrata Joe Biden evitou falar sobre o julgamento de Trump na segunda-feira. “Vamos deixar o Senado resolver”, disse Biden. A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, mais tarde assegurou aos repórteres que as opiniões de Biden sobre Trump eram claras e que ele enfrentou o presidente nas urnas “porque considerava que ele não era apto para o cargo”. “Mas ele vai deixar para o Senado analisar este procedimento de impeachment”, disse Psaki.

(Com AFP)

 

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EUA registram menos de 40 mil casos diários de covid pela primeira vez em meses

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Este número atingiu o pico de quase 300.000 novos casos em 8 de janeiro no país mais atingido pela pandemia, com mais de meio milhão de mortes pela doença

(crédito: Go Nakamura / Getty Images / AFP)

Os Estados Unidos registraram nesta quinta-feira (4) menos de 40.000 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas pela primeira vez em cinco meses, de acordo com o sistema de monitoramento de pandemia da Universidade Johns Hopkins.

Este número atingiu o pico de quase 300.000 novos casos em 8 de janeiro no país mais atingido pela pandemia, com mais de meio milhão de mortes pela doença.

No momento, o índice está de volta aos níveis anteriores às celebrações do Dia de Ação de Graças, em novembro, e do Natal, quando viagens e aglomerações familiares desafiaram os avisos das autoridades e foram a causa da propagação do vírus nos Estados Unidos.

Outro sinal encorajador à medida que o país continua sua campanha de vacinação é que as mortes diárias e hospitalizações por coronavírus também diminuíram.

Atualmente, três vacinas estão sendo administradas no país, e a administração do presidente Joe Biden diz que a campanha para vacinar 100 milhões de pessoas em seus primeiros 100 dias de mandato está bem encaminhada.

Mas, em meio às boas notícias, alguns estados estão suspendendo as medidas de restrição para conter a pandemia, como a exigência de uso de máscara, o que Biden chamou de prematuro e perigoso.
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Itália tem um milhão de novos pobres por causa da pandemia

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Número de pobres no país chegou a 5,6 milhões, o que equivale a 9,4% da população, contra 7,7% em 2019, um recorde em 15 anos

(crédito: Alberto Pizzoli/AFP)

A pandemia do coronavírus aumentou a pobreza na Itália, com um milhão de pessoas a mais vivendo com baixos rendimentos, segundo uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (4/3) pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat).

O número de pobres no país chegou a 5,6 milhões, o que equivale a 9,4% da população, contra 7,7% em 2019, um recorde em 15 anos.

O aumento da pobreza tem sido particularmente pronunciada nas regiões prósperas do norte da Itália, com 720.000 pessoas a mais com renda abaixo do limite considerado mínimo em termos de condições de vida. A taxa de pobreza nestas regiões alcançou os 9,4%, contra 6,8% em 2019.

A renda mínima para o cálculo da pobreza na Itália varia de uma região para outra e é de 839,75 euros (1.000 dólares) por mês por pessoa em uma região metropolitana do norte e de 566,49 euros (682 dólares) por mês em um pequeno município do sul, segundo cifras de 2019 do Istat.

Se o aumento da pobreza foi particularmente evidente nas regiões industrializadas do norte, no sul a taxa segue sendo a mais elevada, com 11,1% da população contra 10,1% em 2019.

As famílias numerosas foram particularmente penalizadas, com um aumento da pobreza que passa de 16,2% a 20,7% para aquelas com cinco membros ou mais.

As medidas restritivas adotadas para conter a pandemia do coronavírus provocaram uma queda recorde no consumo de toda a população: os gastos médios dos lares caiu notavelmente, chegando a níveis do ano 2000.

A Itália foi o primeiro país da Europa afetado pela pandemia, o que motivou a adoção de um estrito confinamento em março e abril de 2020, paralisando grande parte de seu tecido econômico.

Quase 450.000 pessoas, a maioria mulheres e jovens, perderam seus empregos no ano passado e o PIB despencou 8,9%.

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Corpo de mulher encontrado dez anos após o tsunami de 2011 é identificado no Japão

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Análises dentais e de DNA realizadas esta semana pela polícia científica revelaram que se trata de Natsuko Okuyama, uma mulher de 61 anos que desapareceu na tragédia de 11 de março de 2011

(crédito: Charly TRIBALLEAU / AFP)

Os restos mortais de uma mulher desaparecida no devastador tsunami de 2011 no Japão foram encontrados e identificados recentemente, anunciou a polícia nesta sexta-feira (5), poucos dias antes do 10º aniversário do desastre.

“Em 17 de fevereiro, os restos de um esqueleto, incluindo um crânio, foram encontrados” em uma praia no departamento de Miyagi (nordeste), disse um porta-voz da polícia local à AFP.

Análises dentais e de DNA realizadas esta semana pela polícia científica revelaram que se trata de Natsuko Okuyama, uma mulher de 61 anos que desapareceu na tragédia de 11 de março de 2011, revelou o porta-voz.

O balanço oficial da tripla catástrofe de 2011 no Japão (terremoto, tsunami e acidente nuclear de Fukushima) foi de 15.899 mortes em dezembro de 2020, de acordo com a polícia japonesa.

Mais de 2.500 pessoas ainda estão oficialmente desaparecidas dez anos depois, impedindo muitas famílias de enterrarem seus parentes, cujos corpos nunca foram encontrados.

Estou muito feliz que minha mãe apareceu na véspera do 10º aniversário”, disse o filho de Okuyama, de acordo com a agência de notícias Kyodo. “Isso vai me permitir colocar minhas emoções em ordem e seguir em frente.”

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Vacinas podem estar disponíveis para todos em Nova York no fim de abril

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A informação da Prefeitura de Nova York vem dias depois de o presidente Joe Biden afirmar que os EUA terão doses da vacina da covid-19 para todos os americanos até o fim de maio

Sandra Lindsay, enfermeira em Long Island, na cidade de Nova York, foi uma das primeiras vacinadas nos EUA: a cidade vacinou 2 milhões de pessoas, mas precisa chegar a 8 milhões (Mark Lennihan/Pool via REUTERS/Reuters)

A cidade de Nova York poderá oferecer vacinas contra a Covid-19 a todos os residentes até o final de abril, disse o comissário municipal de saúde na quarta-feira em entrevista à Bloomberg News.

Eu estimaria para a cidade de Nova York que em algum momento, espero, no final de abril a maio, teremos suprimento suficiente para poder oferecer vacina a cada nova-iorquino que quiser uma”, disse por telefone Dave Chokshi, comissário do Departamento de Saúde e Higiene Mental da Cidade de Nova York.

A cidade de Nova York administrou pelo menos uma dose a 15,6% da população, de acordo com o rastreador de vacinas da Bloomberg, o que corresponde à taxa geral nos Estados Unidos. No momento, as vacinas na cidade são limitadas a profissionais de saúde, idosos e trabalhadores em setores de alto contato com o público, como professores, bombeiros e funcionários de restaurantes.

No dia anterior, o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu que o país terá doses suficientes para imunizar todos os adultos até o final de maio. Administrar todas essas vacinas pode levar “de algumas semanas a meses”, disse Chokshi.

A cidade de Nova York administrou mais de 2 milhões de doses nos primeiros meses da campanha de vacinação, de acordo com o rastreador de vacinas da Bloomberg. O volume precisa aumentar muito mais para imunizar os 8,3 milhões de residentes.

O Departamento de Saúde está focado em preparar mais provedores para administrar vacinas. Mais de 400 locais, como hospitais e clínicas de departamentos de saúde, estão atualmente aplicando injeções.

“Temos essa base estabelecida. Temos que continuar aumentando nossa capacidade nos próximos meses”, com clínicas administradas pela cidade, bem como consultórios médicos de família, disse Chokshi.

Autorização

A autorização do imunizante contra a Covid-19 da Johnson & Johnson dará impulso ao suprimento de vacinas do país. Quase 4 milhões de doses estão sendo distribuídas nesta semana, disse o governo Biden. Cerca de 71 mil delas são destinadas à cidade de Nova York, de acordo com dados do governo federal.

A cidade planeja usar as vacinas da J&J para imunizar idosos em suas casas, uma vez que são mais fáceis de armazenar e transportar do que as outras duas vacinas disponíveis, disse Chokshi.

A oferta, no entanto, representa o maior desafio de curto prazo, disse. Ainda assim, a cidade já pensa em como convencer todos os nova-iorquinos a tomarem a vacina.

O Departamento de Saúde planeja se concentrar em responder às perguntas das pessoas e abordar detalhes sobre as três vacinas disponíveis. A mensagem principal, disse Chokshi, será enfatizar a segurança de todas elas.

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Com vacinação ainda insuficiente, União Europeia estuda aprovar Sputnik V

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A UE corre para acelerar a vacinação, que tem sido mais lenta do que o esperado. O número de casos de coronavírus no continente voltou a crescer nesta semana

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Meghan Markle sugere que Palácio de Buckingham diz “inverdades” sobre ela

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O Palácio anunciou, na quarta-feira, que examinaria as acusações de assédio moral contra Meghan Markle, duquesa de Sussex, reveladas pelo jornal The Times

Príncipe Harry e Meghan Markle: Duquesa de Sussex. (Clodagh Kilcoyne/Reuters)

Meghan Markle sugeriu que o Palácio de Buckingham conta “inverdades” sobre ela e seu marido, opríncipe Harry, de acordo com um trecho divulgado na quarta-feira (4) de uma entrevista do casal com Oprah Winfrey, que será transmitida pela rede americana CBS.

Questionada sobre como suas declarações podem impactar o palácio real, Markle responde: “Não sei como eles poderiam esperar que, depois de tanto tempo, ainda ficaríamos em silêncio enquanto The Firm (como se refere à coroa) desempenha um papel ativo para perpetuar inverdades sobre nós”.

A divulgação do trecho aconteceu depois que o Palácio anunciou, na quarta-feira, que examinaria as acusações de assédio moral contra Meghan Markle, duquesa de Sussex, reveladas pelo jornal The Times.

A poucos dias da exibição pela CBS da entrevista, potencialmente problemática para a coroa britânica, prevista para domingo (7) nos Estados Unidos e segunda-feira (8) na Grã-Bretanha, o jornal The Times noticiou que em outubro de 2018 Jason Knauf, então secretário de comunicações do casal, apresentou uma queixa de assédio no local de trabalho contra Meghan.

“Estamos claramente muito preocupados com as acusações [publicadas no jornal] The Times, após a denúncia de um ex-funcionário do duque e da duquesa de Sussex”, expressou o palácio em um comunicado nada comum para a monarquia britânica, que não costuma expor suas diferenças em público.

O Palácio de Buckingham enfatizou que “não tolera e não tolerará o assédio no local de trabalho”.

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domingo, 7 de março de 2021

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