Neste 4 de março, Dia Mundial da Obesidade, especialistas destacam que o diagnóstico da obesidade não deve se basear apenas no Índice de Massa Corporal (IMC). Um novo conjunto de orientações, divulgado em 2025 pela Comissão para Definição de Obesidade Clínica na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, atualiza os critérios para uma avaliação mais completa e personalizada de cada paciente.
Até agora, o IMC, calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado, era o principal indicador, sendo que valores iguais ou maiores que 30 indicavam obesidade. Contudo, o documento ressalta que esse método isolado pode não refletir com precisão a composição corporal e os riscos à saúde associados ao excesso de gordura.
A endocrinologista Tatiana Wanderley, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), ligado ao Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), destaca o avanço na prática médica. “Já acompanhei atletas com muita massa muscular cujo IMC apontava obesidade, mas que não tinham excesso de gordura. Também atendi pacientes com IMC abaixo de 30 e alto percentual de gordura. Esse novo método permite uma avaliação mais precisa e individual,” explica a médica.
A analista executiva Beatriz Duarte relata experiência semelhante: “Quando iniciei acompanhamento médico, meu IMC era 29, indicando sobrepeso. Contudo, exames corporais mostraram um percentual elevado de gordura. Hoje entendo que havia risco, e essa avaliação detalhada foi fundamental para buscar o tratamento adequado.”
As novas recomendações incluem a medição da circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e o percentual de gordura corporal, além de considerar doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas respiratórios, e limitações funcionais.
O modelo prevê duas categorias: obesidade clínica, com doença instalada ou prejuízo funcional pelo excesso de gordura; e obesidade pré-clínica, sem sintomas, mas com risco elevado para a saúde.
No Brasil, a obesidade é um grande desafio de saúde pública, aumentando os riscos de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e outras condições crônicas. A adoção de critérios mais amplos busca melhorar a prevenção e o cuidado.
No final de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), junto a outras entidades, publicou um artigo que reforça as definições da The Lancet e inclui a avaliação do risco cardiovascular individual como critério para tratamento.
Informações fornecidas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).

