A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou recentemente sobre a descoberta de uma nova variante do vírus da mpox, causada pela combinação dos grupos Ib e IIb do vírus MPXV. Essa informação veio após a confirmação de dois casos novos em diferentes países.
O primeiro caso aconteceu em dezembro de 2025 no Reino Unido, envolvendo um paciente que havia viajado para o Sudeste Asiático. O segundo caso foi registrado na Índia em 13 de janeiro, em uma pessoa que esteve na região da Península Arábica.
Estudos genéticos mostraram que essas duas pessoas tiveram infecção pela mesma variante recombinante, com uma semelhança de 99,9%. Como os casos ocorreram com semanas de diferença, a OMS acredita que pode haver outras infecções que ainda não foram reportadas. Os sintomas apresentados por ambos foram semelhantes aos de outras variantes e nenhum deles teve complicações graves.
A origem dessa nova variante ainda é desconhecida, e a OMS ressalta que o vírus já circula em pelo menos quatro países. Devido à grande semelhança genética entre os casos, a entidade suspeita que a nova variante possa estar mais espalhada do que mostram os registros atuais.
Testes laboratoriais comuns podem não identificar essa variante recombinante, sendo necessário o uso de sequenciamento genético para confirmar a infecção.
Até agora, o rastreamento dos contatos foi concluído sem encontrar novos casos relacionados. Ainda não está claro se essa variante provoca sintomas diferentes das anteriores, e as autoridades continuam estudando suas características.
A recombinação ocorre naturalmente quando dois vírus relacionados infectam a mesma pessoa e trocam partes do material genético, formando um novo vírus.
Mesmo com essa descoberta, a OMS manteve a avaliação de risco como moderada para homens que fazem sexo com homens e para profissionais do sexo, e baixa para a população geral.
A organização continua acompanhando a situação global, oferecendo suporte técnico aos países, incluindo acesso a testes e vacinas, além de trabalhar na criação de um grupo internacional para coordenar a distribuição de vacinas contra a doença.
O que é a mpox?
A mpox, conhecida também como varíola dos macacos, é causada pelo vírus MPXV, da família Orthopoxvirus. A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato físico próximo, incluindo relações sexuais.
Também é possível a transmissão indireta pelo contato com objetos contaminados, pela inalação de gotículas respiratórias (em casos raros) e de mãe para filho.
Os sintomas mais comuns são feridas na pele, gânglios inchados, febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e cansaço. Esses sinais duram geralmente de duas a quatro semanas.
Se apresentar sintomas, é importante buscar atendimento médico. No Brasil, a vacinação começou em 2023, após a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para uso de uma vacina chamada Jynneos ou Imvanex, produzida pela empresa Bavarian Nordic. Essa vacina é aplicada em duas doses, com um intervalo de quatro semanas entre elas.
Recomendações da OMS para os países:
- Manter vigilância cuidadosa e notificação rápida dos casos;
- Fazer sequenciamento genético de todos os casos no início de surtos e de amostras representativas (pelo menos 10%) em situações de transmissão comunitária;
- Priorizar o sequenciamento em casos importados, incomuns ou graves;
- Assegurar tratamento clínico adequado e fortalecer práticas para prevenir e controlar infecções;
- Intensificar estratégias de vacinação para os grupos mais vulneráveis;
- Integrar serviços de HIV, infecções sexualmente transmissíveis e mpox;
- Tentar eliminar a transmissão de humano para humano em locais onde a circulação é baixa;
- Informar viajantes que podem estar em risco.
Essas medidas ajudam a controlar a disseminação da mpox e a proteger a saúde da população.

